O embaixador angolano em Portugal alertou centenas de pessoas que assistiram em direto no CCB à investidura do presidente que Angola tem «falsos amigos», que comparou a «abutres à espreita (...) para debicarem um pedaço».

Num discurso antes da transmissão em direto da cerimónia de investidura em Lisboa, a que assistiram mais de 300 pessoas, o embaixador afirmou que, «para Angola, o mais difícil já passou».

«Se conseguimos resistir até agora, e dar as lições que estamos a dar em todos os domínios da vida nacional, nada mais temos a temer, nada mais vai parar a nossa marcha», afirmou o diplomata.

Para José Marcos Barrica, os angolanos têm apenas de ficar atentos «para evitar alguns escolhos que se erguem» no seu caminho.

Esses obstáculos, sublinhou, são criados por «pessoas mal-intencionadas, que se dizem amigas de Angola, mas na verdade têm os seus intentos».

«Se nós não ficarmos atentos, vão confundir-nos, e muitos de nós caímos nas armadilhas e nas rasteiras para nos dividir», alertou o embaixador.

Em declarações à Lusa no final da cerimónia, José Marcos Barrica disse referir-se a «abutres que estão à espreita da África considerada como um corpo inerte para debicarem um pedaço».

«Já nos apercebemos de que há estas forças exteriores que não estão interessadas na nossa paz», disse ainda o embaixador, adiantando que o objetivo é «criar confusão para perpetuar a desordem».

Instado pela Lusa a identificá-las, Barrica disse apenas: «Essas forças sabem, por isso, onde elas estiverem, sentir-se-ão tocadas».

A cerimónia, organizada pela embaixada e aberta a toda a comunidade angolana, visou juntar os angolanos para assistirem em direto à investidura do presidente José Eduardo dos Santos, eleito nas eleições de 31 de agosto.

Depois de José Eduardo dos Santos, tomou posse também o vice-Presidente de Angola, Manuel Vicente.