O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, disse hoje que a vizinhança da União Europeia (UE) está “em chamas”, perante crises como a da Bielorrússia, que exigem uma resposta comunitária unida.

Nos últimos dez meses, o nosso bairro foi envolvido por chamas, desde a Líbia à Bielorrússia” e “tudo ficou muito pior do que eu esperava”, confessou Borrell, numa entrevista hoje publicada pelo jornal Financial Times.

Os comentários do chefe da diplomacia comunitária surgem num momento em que os países da UE discutem sanções à Bielorrússia, pelas medidas do Presidente Alexander Lukashenko contra os seus opositores, e a resposta à prospeção energética da Turquia em zona marítima reivindicada pela Grécia.

Na entrevista, Borrell disse que os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE esperam chegar a um acordo sobre as sanções à Bielorrússia em 21 de setembro, por causa das medidas do Presidente Lukanshenko contra os seus opositores, após as eleições presidenciais do mês passado.

O alto-representante da UE para as relações exteriores acrescentou que o caso da Turquia será tratado pelos líderes comunitários na cimeira de Bruxelas, que começa em 24 de setembro.

As tensões no leste do Mediterrâneo - entre a Grécia, a Turquia e o Chipre - têm aumentado exponencialmente e há um forte risco de confronto, que vai para além das palavras”, explicou Borrell.

Ao mesmo tempo, a UE enfrenta um difícil teste, na tentativa de resolver disputas nos Balcãs, como o conflito entre a Sérvia e o Kosovo.

“Se não estabilizarmos os Balcãs, será muito difícil sermos considerados uma potência geopolítica. Porque ninguém mais o fará. Só os europeus o podem fazer”, salientou o chefe da diplomacia europeia.

Em relação à Rússia, Borrell sugeriu que a UE deveria responder com sanções, pelo envenenamento do opositor Alexei Navalny, com o agente nervoso Novichok, se houver “provas claras” do envolvimento de responsáveis governamentais.

De acordo com Borrell, o caso Navalny está ao mesmo nível do envenenamento no Reino Unido do ex-espião russo Sergei Skripal, em 2018, que levou à imposição de sanções da UE contra quatro oficiais da inteligência militar russa.

Borrell diz, porém, que caberá aos alemães - que identificaram o uso do agente nervoso - decidir se retaliarão pelo caso Navalny – que está hospitalizado na Alemanha - bloqueando o projeto do gasoduto russo-alemão Nord Stream2.

/ BC