O Alto Representante para a Política Externa, Josep Borrell, alertou, esta quarta-feira, que a “Europa está em perigo” e que necessita de chegar a acordo em relação a uma doutrina militar comum que permita intervenções fora do território europeu, avança a Reuters

O aviso de Borrell surge durante a apresentação de um documento apelidado de “Strategic Compass” (traduzido literalmente para Bússola Estratégica), que pretende ser o equivalente europeu da doutrina militar da NATO, conhecida como “Strategic Concept”. 

A Europa está em perigo", sublinhou.

O rascunho do documento apresentado do Borrell propõe a ideia da criação de uma força de intervenção rápida europeia, com cinco mil soldados, capazes de serem prontamente destacados fora do espaço europeu. No entanto, o Alto Representante europeu para a Política Externa reforça a ideia de que a NATO mantém-se a principal responsável pela defesa europeia.

Temos uma responsabilidade estratégica. Os cidadãos querem ser protegidos. Soft power não vai ser suficiente”, destacou, dias antes do encontro marcado para segunda-feira, entre ministros europeus dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, que tentará encontrar um acordo para viabilizar o documento. 

Apesar de as forças armadas dos vários países europeus serem bem treinadas e equipadas, existem diversos problemas no que toca à coordenação dos recursos militares a nível europeu. A descentralização militar da União Europeia leva a que exista uma duplicação de recursos e capacidades logísticas e de captação de informação inferiores às dos Estados Unidos da América. 

Todas as ameaças que enfrentamos estão a intensificar-se e a capacidade individual dos estados membros de lidarem com essas ameaças é insuficiente e está a diminuir”, sublinhou.

O alerta aparece numa altura em que vários países europeus pediram uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para debater a crise de migrantes na fronteira entre a Polónia e a Bielorrússia, que deverá ocorrer quinta-feira à tarde.

Mais de 2.000 migrantes estão acampados há vários dias numa área arborizada na Bielorrússia no meio de baixas temperaturas. Do lado polaco da fronteira, Varsóvia instalou uma cerca de arame farpado, vigiada por 15.000 soldados.

Os europeus acusaram o presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, apoiado pelo homólogo russo, Vladimir Putin, de estar a alimentar a crise há várias semanas, através da emissão de vistos para os migrantes e transportando-os para a fronteira com a Polónia, limite da União Europeia (UE), como uma forma de vingança pelas sanções impostas por Bruxelas.

Recorde-se também que um grupo de eurodeputados visitou pela primeira vez, na passada quarta-feira, a contestada ilha de Taiwan, naquilo que a China classificou como “uma provocação” por parte dos Europeus. 

Os eurodeputados discutiram as experiências de Taiwan no combate à desinformação, tentativas de interferir na democracia, meios de comunicação, cultura e educação de Taiwan, bem como os esforços de Taiwan para reforçar a sua ciber-resiliência, disseram os eurodeputados numa declaração na terça-feira à noite.