Dois polícias ficaram feridos por tiros disparados em protestos em Louisville, no estado norte-americano do Kentucky, contra a decisão das autoridades não acusarem três agentes envolvidos na morte da jovem afro-americana Breonna Taylor, segundo fonte policial.

Por volta das 20:30 de quarta-feira (01:30 de hoje em Lisboa), dois agentes da polícia foram alvejados e levados para o hospital, encontrando-se fora de perigo, segundo as autoridades.

O chefe interino da Polícia de Louisville, Robert Schroeder, confirmou que o incidente ocorreu pouco antes do recolher obrigatório, decretado para conter os protestos esperados na sequência da deliberação de não acusar ninguém pela morte de Breonna Taylor, baleada por agentes da polícia durante buscas ao seu apartamento.

Mesmo antes de ser conhecida a decisão do grande júri, o presidente da Câmara de Louisville, Greg Fischer, decretou o recolher obrigatório na cidade entre as 21:00 e as 06:30, antecipando uma noite de eventuais protestos e distúrbios.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ofereceu a ajuda do Governo federal para conter os protestos na cidade, que foram replicados em cidades de todo o país.

Rezo pelos dois agentes que foram alvejados esta noite em Louisville, Kentucky. O gGoverno federal está pronto a ajudar", escreveu Trump na rede social Twitter, acrescentando que falou com o governador Andy Beshear. "Estamos prontos para trabalhar juntos", disse.

Também o candidato presidencial democrata, Joe Biden, se pronunciou sobre os protestos, tendo apelado a manifestações pacíficas e defendendo que é necessário resolver os problemas da "utilização de força excessiva" pela polícia, "a proibição de estrangulamentos" e a revisão dos mandados que permitem às forças policiais a entrada em casas sem aviso.

Um grande júri do estado norte-americano do Kentucky decidiu na quarta-feira não acusar a polícia de Louisville pela morte da afro-americana Breonna Taylor, o que motivou a concentração de centenas de pessoas em protesto.

Os protestos começaram assim que foi anunciada a decisão da Procuradoria, que não está a dar seguimento ao caso como homicídio, depois de ter sido anunciado que o único dos três agentes indiciados foi libertado sob fiança de 15.000 dólares (12.800 euros) e apenas acusado de negligência, mas não pela morte da afro-americana. O agente em causa é acusado de disparar para outros apartamentos nas redondezas.

Os procuradores disseram que os agentes que dispararam as suas armas contra a jovem de 26 anos agiram em legítima defesa.

Na sequência dos protestos que se seguiram ao anúncio da decisão, o governador do Kentucky, o democrata Andy Beshear, autorizou o envio da Guarda Nacional, tendo por missão a proteção de "infraestruturas críticas", como hospitais.

O procurador-geral estadual, Daniel Cameron, um afro-americano em ascensão no partido republicano, emocionou-se ao explicar a decisão judicial, admitindo que muitos possam ficar revoltados com o resultado, mas defendendo que "justiça popular não é justiça" e que "justiça com base na violência é apenas vingança", e elogiando ainda o trabalho da polícia.

Taylor, uma profissional de saúde negra de 26 anos, foi baleada várias vezes por polícias que entraram em sua casa, com um mandado de busca, no âmbito de uma investigação de tráfico de droga, em 13 de março, provocando comoção e indignação popular, num ano em que os Estados Unidos foram abalados por violentas manifestações contra a violência policial.

No tiroteio, o namorado de Taylor, Kenneth Walker, disparou quando a polícia entrou em casa, atingindo um dos polícias, tendo chegado a ser acusado de tentativa de homicídio. Posteriormente os procuradores retiraram a acusação.

Em 15 de setembro, as autoridades da cidade de Louisville abriram um processo contra os três polícias, a pedido da mãe de Taylor, concordando em pagar-lhe 12 milhões de dólares (cerca de 10 milhões de euros) e em promulgar reformas no sistema policial local.

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