A oposição venezuelana voltou esta segunda-feira a apelar às Forças Armadas da Venezuela (FAV) para retirarem o apoio ao regime do Presidente Nicolás Maduro que, afirma, prepara um novo ataque contra a população, com o propósito de “manter-se no poder”.

O regime organiza-se para uma nova ofensiva contra os cidadãos. A violação dos Direitos Humanos passará de sistemática a massiva. A fogo e sangue buscarão continuar no poder”, afirmou o ex-comissário Iván Simonóvis, representante do líder opositor Juan Guaidó, através da sua conta no Twitter.

Nomeado por Juan Guaidó como comissário especial para a “Segurança e Inteligência (serviços de informação)”, Simonóvis acompanhou a mensagem com um vídeo onde lembra às FAV que há casos de “oficiais militares” que foram “perseguidos” e “torturados” pelo regime.

Senhores das FAV, a ONU divulgou recentemente um relatório sobre violações dos Direitos Humanos (na Venezuela). Mais de 400 páginas e 2.000 casos foram analisados. Muitos deles de civis, mas um grande número também de militares, vossos colegas que foram perseguidos, detidos, torturados ou assassinados, como é o caso do capitão Acosta Arévalo (Rafael Ramón, 17 de junho de 1969 - 29 de junho de 2019)”, explica​.

Iván Simonóvis sublinha que “alguns desses casos têm a ver com pessoas que se revoltaram contra o regime, outros foram simplesmente porque ‘les tocó’ (chegou a vez deles), como pode acontecer a qualquer um de vocês (militares)”.

Segundo o comissário “além do que sofre o indivíduo que é detido está o que vive a família. Quem o afirma (Iván Simónovis) é uma pessoa que durante quinze anos viveu o que é ser perseguido e detido pelos regimes de Hugo Chávez (falecido) e de Nicolás Maduro”.

Vejam o relatório (da ONU), analisem e vejam para quem trabalham”, conclui.

Desde 2019 que a oposição, liderada pelo opositor Juan Guaidó tem apelado constantemente aos militares venezuelanos para que se ponham “do lado da Constituição”, que retirem o apoio à "ditadura”, forma usada pelos opositores para se referirem ao regime do Presidente Nicolás Maduro.

A imprensa venezuelana dá conta que nos últimos anos, mas em particular no primeiro trimestre de 2019, centenas de militares teriam abandonado o país emigrando para países vizinhos.

Segundo a Organização de Venezuelanos Perseguidos Políticos no Exílio (Veppex) aproximadamente 4.000 oficiais de vários ramos militares teriam abandonado o país por se terem insurgido contra o Governo venezuelano.

Segundo a ONG Justiça Venezuelana, quase 250 militares estão presos “por motivos políticos”.

A crise política, económica e social venezuelana agravou-se desde janeiro de 2019, quando o presidente do parlamento, o opositor Juan Guaidó, jurou assumir publicamente as funções de presidente interino da Venezuela até afastar Nicolás Maduro do poder, convocar um governo de transição e marcar eleições livres no país.

Guaidó conta com o apoio de quase 60 países.

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