O líder opositor venezuelano Juan Guaidó pediu esta segunda-feira aos militares que boicotem a realização das eleições legislativas previstas para 6 de dezembro e que deixem de apoiar o presidente, Nicolás Maduro, para permitir uma mudança de regime no país.

Quero falar às Forças Armadas e aos que hoje apoiam o regime. Todos somos necessários, todos contribuímos para a construção de uma maioria (…) Ao haver uma estratégia e uma liderança para levar acabo esse processo [de mudança], devemos todos remar juntos na mesma direção”, disse.

Juan Guaidó falava numa conferência de imprensa virtual, durante a qual divulgou um “pacto unitário” assinado pelos 37 principais partidos opositores, que recusam participar nas eleições legislativas, e se comprometeram a “condenar a fraude” que antecipam que ocorrerá no próximo 6 de dezembro, bem como a esforçar-se para que não sejam legitimadas internacionalmente.

Estamos prontos para nos reencontrar com quem for necessário para chegar a uma transição política”, afirmou.

Por outro lado, explicou que a oposição “hoje está aqui porque não desistiu nem o fará”, precisando que os 37 partidos que assinaram o “pacto de unidade” não são suficientes para materializar uma mudança no país, é preciso “apoio e responder à crise”.

A ditadura propõe uma fraude e nós, como bandeira de luta, eleições livres. A 5.ª república [nome popular dado ao início da revolução bolivariana] morreu. Destruíram a institucionalidade. Os militares têm uma responsabilidade. Aí está o esquema para suspender as sanções [norte-americanas], deixem de se esconder debaixo das saias do ditador. Deixem de evitar a realidade da Venezuela”, disse.

No “pacto unitário”, a oposição compromete-se também a avançar com “uma campanha nacional e internacional para eleições presidenciais e parlamentares livres”, “construir e organizar um novo espaço ou plataforma de unidade e coordenação das forças democráticas e da sociedade civil organizada”.

“Sentar as bases de um governo de emergência nacional para dirigir a transição, atender de maneira urgente a crise económica e social e convocar eleições livres”, é outro dos propósitos manifestados no documento.

A oposição propõe-se ainda “construir pontes e estabelecer garantias com os atores civis e militares que atuem apegados à Constituição para restabelecer a democracia” e “aprofundar e escalar a pressão internacional sobre a ditadura”.

Por outro lado, “vão assumir como prioridade a reversão da crise humanitária”, “lutar pela liberdade dos presos políticos, civis e militares, e regresso dos exilados” e combater constantemente “a corrupção, restituindo o Estado de Direito e o fortalecimento das instituições democráticas”.

As próximas eleições legislativas na Venezuela estão marcadas para o próximo dia 6 de dezembro.

Segundo o registo preliminar eleitoral, estão recenseados para votar mais de 20 milhões (20.733.941) dos 32 milhões de venezuelanos.

A Venezuela tem, desde janeiro, dois parlamentos parcialmente reconhecidos, um de maioria opositora, liderado por Juan Guaidó, e um pró-regime do Presidente Nicolas Maduro, liderado por Luís Parra, que foi expulso do partido opositor Primeiro Justiça, mas que continua a afirmar que é da oposição.

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