Mais de 50 pessoas ficaram feridas em Caracas durante o segundo dia de protestos contra o Governo do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciaram fontes médico-sanitárias.

Um total de 46 feridos, nos protestos de quarta-feira, foram tratados no município de Caracas de Chacao, onde as forças de segurança e milhares de manifestantes entraram em confronto durante várias horas em resposta a um apelo do líder da oposição Juan Guaidó, reconhecido como Presidente interino da Venezuela por cinquenta países.

A presidente do serviço municipal de saúde, Maggia Santi, explicou aos jornalistas que os feridos estão todos fora de perigo, incluindo dois feridos com armas de fogo.

Pelo menos 20 pessoas foram baleadas, 13 das quais sofreram várias lesões. Ainda há registo de vários manifestantes feridos na sequência do lançamento de gás lacrimogéneo por parte da Guarda Nacional Bolivariana (GNB).

Além disso, a União Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP) informou que uma dúzia de jornalistas também ficaram feridos quando cobriam manifestações contra o Governo.

O sindicato informou que cinco repórteres foram feridos com balas.

A Venezuela viveu na quarta-feira uma segunda onda de manifestações. O dia anterior tinha também terminado em protestos violentos, dos quais resultaram um morto e 80 feridos, segundo um levantamento de um grupo de militares em Caracas.

Milhares de pessoas concentraram-se na quarta-feira em vários locais da capital venezuelana, de acordo com o apelo feito pelo líder da oposição, reconhecido como Presidente interino da Venezuela por meia centena de países.

Os defensores do Governo concentram-se no centro e oeste de Caracas para participar nas manifestações convocadas pelo executivo a propósito do 1.º de Maio.

O autoproclamado Presidente interino da Venezuela desencadeou na madrugada de terça-feira um ato de força contra o regime de Nicolás Maduro em que envolveu militares e para o qual apelou à adesão popular.

O regime ripostou considerando que estava em curso uma tentativa de golpe de Estado. Não houve, durante o dia, progressos na situação, que continua dominada pelo regime.

Apesar de Juan Guaidó ter afirmado ao longo do dia que tinha os militares do seu lado, nenhuma unidade militar aderiu à iniciativa nem se confirmou qualquer deserção de altas patentes militares fiéis a Nicolas Maduro.

Presidente do Parlamento diz que vai continuar a "libertar" presos políticos

O presidente do parlamento venezuelano e líder da oposição, Juan Guaidó, assegurou que continuará a “libertar” os presos políticos, depois de ter libertado Leopoldo Lopez, que tinha sido condenado a 14 anos de prisão e que os cumpria em prisão domiciliária, na terça-feira, como acrescentou.

Continuaremos a libertar os prisioneiros políticos como Juan Requesens, Gilber Caro”, disse o líder da oposição perante apoiantes numa zona perto de Petare, a maior favela da América Latina, a este de Caracas.

E acrescentou: “Estamos mais fortes, mais determinados”.

Guaidó assegurou que Leopoldo Lopez foi posto em liberdade por funcionários do Serviço Bolivariano de Inteligência, que cumpriram a sua ordem de Presidente interino após lhe ter oferecido “amnistia e garantia de indultos”.

Segundo a organização não governamental Foro Penal foram detidas desde o princípio do ano 1.693 pessoas, por crimes de consciência ou por se manifestarem contra o governo de Nicolás Maduro, ainda que a maior parte já esteja em liberdade.

Segundo a mesma organização, permanecem detidas 755 pessoas por questões políticas, incluindo opositores do regime, como Roberto Marrero, o principal colaborador de Guaidó.

Guaidó disse também que falará “com qualquer funcionário” que o ajude a tirar Maduro do poder e a instalar um governo de transição que convoque eleições livres.

Maduro convoca venezuelanos a uma jornada de diálogo para mudar a revolução

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, convocou os venezuelanos que apoiam o seu Governo para uma jornada nacional de diálogo centrada em mudar a revolução bolivariana.

Vamos a uma grande jornada de mudança, de retificação, de renovação revolucionária. Eu conto com vocês", disse, na quarta-feira.

Nicolás Maduro falava em Caracas, para milhares de simpatizantes que marcharam até ao palácio presidencial de Miraflores, para celebrar o Dia Internacional do Trabalhador e apoiar o Chefe de Estado.

Segundo Nicolás Maduro, a jornada terá o propósito de "saber o que há que mudar, para melhorar" a revolução bolivariana e que decorrerá no próximo sábado e domingo.

Quero assumir um plano, para retificar os erros, a meio da batalha", disse, sublinhando que é importante que os venezuelanos participem apresentando propostas.

Na jornada participarão o Grande Polo Patriótico e o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, o partido do Governo), o 'congresso dos povos', governadores e autarcas.