Duas pessoas morerram na tarde de sábado na fronteira entre a Venezuela e o Brasil, devido a confrontos com a polícia, segundo fontes hospitalares citadas pela agência de notícias Reuters.

Já a organização não-governamental Foro Penal, citada pelo jornal The Washington Post, dá conta da morte de quatro pessoas , este sábado, em Santa Elena de Guairen, na fronteira da Venezuela com o Brasil.

Fomos informados que coletivos atiraram contra as pessoas na fronteira, e a situação é grave", disse o diretor da organização não-governamental, Alfredo Romero.

Na fronteira com a Colômbia, pelo menso dois camiões com ajuda humanitária arderam na fronteira entre a Venezuela e a Colômbia, na localidade de Ureña, segundo a agência Reuters.

A situação denunciada pelo autoproclamado presidente Juan Guaidó e mostrada pela televisão estatal do país.

De acordo com a agência de notícias Reuters, muitas pessoas começaram a retirar caixas com mantimentos de um segundo camião, com a polícia a voltar a disparar gás lacrimogéneo.

Quase 300 feridos

Pelo menos 285 pessoas ficaram feridas durante distúrbios registados durante a entrada de ajuda humanitária na Venezuela junto à fronteira com a Colômbia, segundo revelou o ministro dos Negócios Estrangeiros colombiano, Carlos Holmes Trujillo.

Estes atos que violam os direitos humanos ocorridos em território venezuelano causaram até ao momento 285 feridos", afirmou o ministro.

Anteriormente, as forças de segurança colombianas tinham indicado a existência de 43 feridos, todos eles venezuelanos, em confrontos na principal ponte que liga a Colômbia à Venezuela.

Marcha-atrás dos camiões

Na fronteira com a Colômbia - país com o qual o presidente Nicolás Maduro anunciou um corte de relações - várias pessoas ficaram feridas este sábado numa intervenção da polícia venezuelana, que impediu a entrada de centenas de manifestantes que queriam acompanhar os camiões com ajuda humanitária da cidade colombiana de Cúcuta até à Venezuela.

Os agentes da polícia utilizaram gás lacrimogéneo contra centenas de civis, que se concentraram desde manhã cedo junto à ponte fronteiriça Simon Bolívar e que responderam com arremesso de pedras.

As imagens dos confrontos têm sido partilhadas através das redes sociais.

Camiões travados

Este sábado era a data limite anunciada pelo autoproclamado Presidente interino venezuelano, Juan Guaidó, para a entrada no país de 14 camiões e 200 toneladas de ajuda humanitária reunida para a Venezuela.

Juan Guaidó, opositor de Maduro e reconhecido por mais de 50 países como Presidente interino do país, prometeu introduzir essa ajuda humanitária na Venezuela neste dia, numa operação para a qual estão mobilizados milhares de cidadãos.

Guaidó chegou a anunciar que camiões com ajuda entraram no país, pela fronteira com a Colômbia, mas, segundo a agência Reuters, pelo menos dois camiões regressaram a armazéns na Colômbia, após serem barrados pelos militares do exército venezuelano.

Maduro aceita ajuda da União Europeia

Em Caracas, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou que aceitará uma oferta da União Europeia para introduzir "legalmente" ajuda humanitária no país.

Aceitamos ajuda humanitária da União Europeia, ajuda legal", disse.

Nicolás Maduro falava em Caracas, para milhares de simpatizantes que hoje marcharam em apoio à revolução bolivariana.

O Presidente da Venezuela começou por explicar que tem grandes diferenças com a União Europeia (UE), mas que aceita a ajuda, com coordenação da Organização das Nações Unidas (ONU).

A UE, com quem temos grandes diferenças, mandou uma comissão de diálogo, que foi recebida pelo ministro de Relações Exteriores (Jorge Arreaza) e a vice-presidente executiva (Delcy Rodr Rodriguez), e nos fez saber que estavam na disposição de dar assistência e apoio humanitário à Venezuela, legal e formalmente", explicou.

Estão (outros) a bloquear-nos os medicamentos, e entregámos-lhes a listagem completa de medicamentos. Estão a bloquear-nos os alimentos, e entregámos-lhes uma lista com as necessidades", detalhou o Presidente da Venezuela.

E dissemos-lhes: vamos coordenar com a ONU para ver se vocês cumprem com a oferta. Tudo o que enviarem, a Venezuela vai pagar, porque não somos mendigos de ninguém. Que cheguem aos nossos portos, de maneira legal. Aceitamos”, frisou.

Maduro referiu-se ainda ao Brasil e anunciou estar na disposição de comprar os produtos vendidos no Estado brasileiro de Roraima.

Ao Brasil, por exemplo, nós estamos na disposição de comprar todo o arroz, açúcar, leite em pó, toda a carne que nos vendam a partir do Estado de Roraima, desde Boavista” (capital do estado), disse.

Nicolás Maduro frisou ainda querer comprar "aos empresários, aos produtores, ao governador de Roraima, pagando em cash (dinheiro)".

Não somos maus pagadores nem ‘maulas' (pessoas pouco cumpridoras das suas obrigações) nem mendigos, somos gente honorável, de trabalho", disse.

Corte com a Colômbia

Nicolás Maduro anunciou ainda o corte de relações diplomáticas e políticas com a Colômbia, país que acusa de apoiar os EUA num golpe de Estado contra o seu regime.

Decidi romper todas as relações políticas e diplomáticas com a Colômbia. Não se pode aceitar que continuem a disponibilizar o território colombiano para provocações contra a Venezuela", disse.

Todos os embaixadores e cônsules da Colômbia têm 24 horas para sair da Venezuela", frisou.

 

Desafio a Guaidó

Maduro voltou ainda a desafiar o autoproclamado Presidente interino Juan Guaidó, por não ter convocado ainda eleições presidenciais antecipadas no país.

Trinta dias (depois de se autoproclamar Presidente) porque não convocou eleições. Se tem o poder, supostamente", desafiou.

Nicolás Maduro falava no palácio presidencial de Miraflores, em Caracas, perante milhares de simpatizantes que hoje marcharam na capital em apoio da revolução bolivariana.

Onde está a convocatória, se têm um Presidente interino. Eu desafio-o a convocar eleições, para ver quem tem votos e quem ganha eleições neste país", acrescentou, apelidando Juan Guaidó de "marioneta vendida ao império".

Segundo Nicolás Maduro, "as eleições deveriam ser hoje, porque assim o manda a Constituição", fazendo alusão à legislação venezuelana segundo a qual uma vez assumido o cargo o Presidente interino tem um mês para convocar eleições presidenciais.

O Presidente da Venezuela disse ainda que os venezuelanos estão "numa batalha pelo direito à paz, com justiça e independência".

Contem com Nicolás Maduro, que será leal a esta batalha que está dando dignidade ao povo. Estou mais forte que nunca, de pé, governando esta pátria, agora e por muitos anos", disse.