O corpo de um jornalista do jornal mexicano El Mundo, em Veracruz, foi encontrado decapitado na quarta-feira, anunciou a polícia, elevando para cinco o número de jornalistas assassinados este ano no México.

Condeno o cobarde homicídio do jornalista Julio Valdivia [...]. Em coordenação com o Ministério Público do estado, vamos utilizar todos os nossos recursos para encontrar os responsáveis", disse o secretário de Segurança e chefe da polícia, Hugo Gutiérrez, em comunicado, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

O cadáver do jornalista, com sinais de tortura, foi encontrado nos carris do comboio numa zona montanhosa do município de Tezonapa, no estado de Veracruz, informaram fontes policiais.

Aquele estado é considerado um dos locais mais perigosos do mundo para o exercício do jornalismo, com 24 jornalistas assassinados desde 2010, de acordo com estatísticas da Comissão Estatal para a Proteção dos Jornalistas.

A organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) apelou às autoridades para investigarem a ligação entre o homicídio do jornalista, de 41 anos, e as suas atividades profissionais.

Julio Valdivia é o quinto jornalista morto no México em 2020, de acordo com aquela organização não-governamental (ONG).

O jornalista "trabalhava numa zona complicada, onde existem grupos criminosos", disse a presidente da Comissão para a Proteção dos Jornalistas em Veracruz, Ana Laura Pérez, à AFP. "Temos de investigar para ver se ele tinha denunciado alguma coisa que incomodasse estes grupos criminosos", acrescentou.

De acordo com a conta do El Mundo no Twitter, o jornalista tinha coberto um confronto entre a polícia e suspeitos de crime no município de Cosolapa, na terça-feira.

Segundo a ONG Artículo 19, desde 2000 foram documentados 132 homicídios de jornalistas no México, o país com mais jornalistas assassinados no mundo em 2019, com 10 casos, de acordo com os Repórteres sem Fronteiras.

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