A junta militar que tomou o poder no Mali com um golpe de Estado propôs a criação de um órgão dirigido por um militar, para conduzir um processo de transição política de três anos, anunciaram domingo negociadores.

"A junta afirmou que deseja conduzir uma transição de três anos para rever os fundamentos do Estado maliano. Essa transição será dirigida por um órgão presidido por um militar, que será simultaneamente chefe de Estado", disse, citada pela agência France Presse, uma fonte da equipa de mediadores da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) que se encontra na capital do Mali, Bamako.

A mesma fonte indicou que a junta militar concordou que o presidente deposto, Ibrahim Boubacar Keïta, detido pelos militares desde o golpe de Estado de terça-feira, possa regressar à sua residência e que possa viajar para receber cuidados de saúde.

A France Presse adianta que uma fonte da junta militar confirmou as informações dadas pela fonte da CEDEAO.

O golpe de Estado começou com a detenção pelos militares de Ibrahim Boubacar Keïta e do seu primeiro-ministro, Boubou Cissé, bem como a detenção de altos funcionários civis e militares, que foram levados para o campo militar de Kati, nos subúrbios da capital maliana.

Este golpe de Estado é o quarto na história do Mali, que se tornou independente da França em 1960. Os militares tomaram o poder em 1968, 1991 e 2012, tendo o último golpe de estado aberto as portas do país a grupos 'jihadistas'.

Portugal tem no Mali 74 militares integrados em missões da ONU e da UE.

Antigo primeiro-ministro (1994-2000), Ibrahim Boubacar Keita, 75 anos, foi eleito chefe de Estado em 2013, e renovou o mandato de cinco anos em 2018.

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