Uma ministra israelita foi impedida, na segunda-feira, de entrar na cimeira das Nações Unidas sobre o clima (COP26), em Glasgow, porque a forma de transporte disponível para chegar ao local da conferência não era acessível a pessoas com mobilidade reduzida.

Karine Elharrar, que sofre distrofia muscular, teve de esperar duas horas à entrada do evento, após os organizadores se recusarem a deixá-la entrar no recinto com a cadeira de rodas. Assim, sem um meio de transporte adequado, Karine foi obrigada a voltar para o hotel onde estava hospedada, a 80 quilómetros de distância.

As únicas opções que nos disponibilizaram era ir a pé durante quase um quilómetro ou ir de autocarro, o que não era acessível para pessoas em cadeiras de rodas, afirmou Karine na rede social Twitter.

A ministra israelita lamentou ainda que a ONU “não ofereça acessibilidades nos seus eventos”.

Vim para a COP26 para me encontrar com os meus colegas e promover uma luta comum contra a crise climática. É triste que a ONU, que promove a acessibilidade para pessoas com deficiência, em 2021, não ofereça acessibilidade para os seus eventos, expressou.

 

Karine Elharrar terá feito depois uma queixa formal aos organizadores do evento.

O secretário do Meio Ambiente do Reino Unido, George Eustice, disse que este incidente foi "profundamente lamentável", acrescentando que houve uma falha de comunicação com os organizadores, que não estavam cientes dos requisitos de Elharrar. 

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita repreendeu os organizadores da conferência.

É impossível estarmos preocupados com o futuro e o clima, se não cuidarmos primeiro dos seres humanos, da acessibilidade e das deficiências", afirmou.

O governo israelita recebeu entretanto um pedido de desculpas por parte do primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, assim como dos organizadores da COP26.

Redação / IC