A princesa japonesa Mako, filha do príncipe herdeiro Fumihito e sobrinha do imperador Naruhito, vai abdicar do dote, do título e do império para casar com um plebeu, Kei Komuro, antigo colega de escola, garante a televisão pública NHK.

Kei Komuro, 29 anos, regressou na segunda-feira ao Japão, após três anos a viver, estudar e trabalhar em Nova Iorque, nos Estados Unidos, onde se formou em Direito. A chegada foi testemunhada por 170 elementos da comunicação social, que o advogado, ladeado de vários seguranças, fez questão de cumprimentar, ainda que tenha optado pelo silêncio. O momento foi transmitido em direto na televisão.

O namoro da princesa com o plebeu enche páginas da imprensa cor de rosa e programas televisivos com regularidade desde 2017, quando anunciaram o noivado e mais tarde o adiamento do casamento, com várias polémicas à volta do noivo, nomeadamente um diferendo financeiro entre a mãe de Komuro e um ex-noivo e que envolve gastos com a sua educação.

A chegada de Kei Komuro, que vai agora cumprir duas semanas de quarentena em casa da mãe, significa, segundo os media, que a data do enlace vai ser anunciada, ao que tudo indica ainda em outubro, bem como os contornos da cerimónia. O casal deverá anunciar a qualquer momento uma conferência de imprensa.

Nos últimos dias, foi avançado que Mako, também com 29 anos, a mais velha de três irmãos, vai abdicar de um dote de mais de um milhão de euros, decisão que terá o aval do governo, uma vez que o dote tem origem em dinheiros públicos.

A confirmar-se, será a primeira vez, na história do Japão pós-guerra, que uma princesa não receberá o dote por casar com um plebeu.

Ao casar com um plebeu, Mako fica, também, impedida de participar em qualquer cerimónia oficial, por perda de estatuto, de acordo com as regras da sucessão.

Além disso, todo o protocolo que antecede o casamento também não será cumprido, como, por exemplo, um encontro oficial com o imperador e a imperatriz, tios de Mako.

Segundo, ainda, a imprensa nacional, o casal irá viver nos Estados Unidos.

Nem dote nem passaporte

Mas nem só de dotes vive a realeza, há também questões comuns, como um passaporte. Por se tratar de um membro da família imperial, Mako não tem passaporte. Por isso, só depois de registado o casamento poderá pedir, como qualquer cidadão, o documento que lhe permitirá viajar para os Estados Unidos.

Antes de saírem do país e até a união estar oficializada, Mako e Komuro vão viver num condomínio privado em Tóquio.

O seu casamento esteve, inicialmente, marcado para 4 de novembro de 2018.

Komuro e a princesa conheceram-se em 2012 na Universidade Cristã Internacional, International Christian University no original, em Tóquio, e anunciaram oficiosamente o noivado em setembro de 2017.

Catarina Machado