Uma conselheira sénior de Donald Trump está envolta em polémica pela forma como defendeu a recente ordem executiva do presidente dos EUA, que suspende a entrada de refugiados e cidadãos de sete países muçulmanos no país.

Numa entrevista no programa “Hardball” da MSNBC, Kellyanne Conway defendeu que uma medida similar foi imposta pela administração de Barack Obama depois do “massacre de Bowling Green”, alegadamente, executado por dois iraquianos.

Segundo Conway, a administração Obama impôs uma restrição à entrada de iraquianos depois do ataque terrorista. A conselheira acrescentou que é normal que pouca gente tenha ouvido falar do “massacre”, uma vez que os media não cobriram o caso.

Acredito que seja informação nova o facto de o Presidente Obama ter suspendido o programa de refugiados iraquianos durante seis meses, depois de dois iraquianos terem vindo para o nosso país, onde se radicalizaram e orquestraram o massacre de Bowling Green. Muitas pessoas não ouviram falar porque não foi noticiado”.

A verdade é que o ataque não foi noticiado, porque nunca aconteceu. Como escreve o The Guardian, dois homens iraquianos foram, de facto, detidos em Bowling Green, Kentucky, em 2011, depois de uma tentativa falhada de enviar dinheiro e armas para a Al-Qaeda no Iraque e por terem usado explosivos improvisados contra forças dos EUA quando ainda viviam no Iraque.

Os dois homens estão atualmente a cumprir penas perpétuas, mas não por um ataque terrorista. Aliás, os dois iraquianos nunca foram acusados, sequer, de planear qualquer atentado em solo norte-americano.

O departamento da Justiça dos EUA, citado pelo The Guardian, referiu isso mesmo quando anunciou as suas penas, em 2012.

Nenhum foi acusado de planear um ataque nos EUA”.

Segundo o Washington Post, o que aconteceu, de facto, foi que a administração Obama ordenou um reforço da verificação dos antecedentes dos iraquianos que quisessem ir para os EUA, sem nunca suspender o programa de refugiados.

É a segunda vez em menos de duas semanas que Conway se vê envolta em polémica. Numa entrevista à NBC, defendeu que tinham estado um milhão de pessoas a assistir à tomada de posse de Trump, mesmo que as imagens dos media desmentissem essa informação. Kellyanne afirmou então que a Casa Branca tinha na sua posse “factos alternativos” que garantiam aquele número.

Élvio Carvalho