Khalid Masood, cujo nome de nascimento era, na verdade, Adrian Russel Ajao, tinha 52 anos, era pai, professor e praticava bodybuilding. É assim que a imprensa britânica descreve o homem que foi formalmente identificado como o responsável pelo ataque em Londres, que ocorreu nesta quarta-feira.

Adrian Russell Ajao nasceu no dia de Natal em Kent, Inglaterra, mas há muito que não vivia nesta região britânica. Recentemente, residia em Birmingham, West Midlands. Antes, terá passado por várias zonas do país como Crawley, West Sussex, East Sussex, Luton e Londres

A polícia britânica confirmou que, no passado, usou vários nomes falsos. Um deles, segundo a BBC, era Adrian Elms. Só depois de se ter radicalizado é que adotou o nome de Khalid Masood.

Era pai de três crianças, incluindo um menino de cinco anos. O Daily Mail avança que Masood era professor e praticava bodybuilding. A BBC conseguiu confirmar que o atacante nunca trabalhou como professor qualificado em escolas públicas de Inglaterra.

As autoridades revelaram que este homem não estava a ser investigado pelos serviços secretos, mas era conhecido de polícia e até já tinha sido condenado por vários crimes – sendo que nenhum deles esteve relacionado com atos terroristas.

A primeira vez que foi condenado remonta a novembro de 1983, quando foi considerado culpado de ter causado danos criminais. A última vez foi há 14 anos, em dezembro de 2003, pela posse de uma arma.

Não se sabem os motivos que levaram Masood a cometer o ataque. O vice-comissário da polícia britânica, Mark Rowley, admitiu que o homem terá sido inspirado pela vaga de terrorismo internacional.

Esta sexta-feira, foi revelada uma imagem de Masood quando este era ainda adolescente e pertencia à equipa de futebol da escola que frequentou, a Huntleys School for Boys, em Kent.

 

Vizinha diz que Masood parecia um homem "simpático"

Certo é que Masood alugou a viatura que usou no ataque em Birmingham, no início da semana. Isto mesmo foi confirmado por uma empresa de aluguer de carros do norte da cidade.

De resto, as autoridades acreditam que nos últimos tempos, Masood viva num bloco de apartamentos em Quayside, Birmingham, num apartamento que foi alvo de buscas na noite de quarta-feira.

Uma vizinha, Iwona Romek, foi entrevistada pelos órgãos de comunicação britânicos. Iwana disse que reconheceu o atacante e que ficou chocada com a notícia.

Quando vi as imagens  na televisão e nos jornais reconheci o homem que costumava viver perto de mim. Ainda não consigo acreditar.”

Segundo este testemunho, Masood tinha pelo menos um filho, um rapaz "de cinco ou seis anos", e vivia com uma mulher de origem asiática.

Ele tinha um filho de cinco ou seis anos. Havia uma mulher que vivia com ele, uma mulher asiática. Ele parecia simpático, tratava do jardim e das ervas.”

Iwona contou aos repórteres que o atacante saiu do apartamento onde vivia em dezembro e nunca mais voltou. Cerca de dez dias depois, a mulher e a criança também partiram e levaram tudo o que tinham na garagem.

Birmingham tem sido uma das zonas de Inglaterra associadas aos terroristas islâmicos. De acordo com um estudo divulgado pela sociedade Henry Jackson no início do mês, 39 das 269 pessoas condenadas por crimes de terrorismo, entre 1998 e 2015, vieram nesta cidade.

 

Empresário conheceu Masood num hotel

Um empresário, entrevistado pela Sky News, contou que conheceu o atacante num hotel em Brighton, na noite anterior ao atentado. Michael Peterson afirmou que não havia nada na conduta de Masood que levantasse suspeitas. "Parecia perfeitamente normal", sublinhou.

É um choque perceber que te podes sentar ao lado de alguém que parece totalmente, perfeitamente normal. Educado, apresentável, e, no entanto, ele está prestes a cometer um homicídio em massa." 

A polícia britânica anunciou, esta sexta-feira de manhã, que fez "duas importantes detenções", durante a madrugada, relacionadas com o ataque em Londres. Há agora nove pessoas detidas por suspeitas de ligação com o ataque - a polícia já fez detenções, mas uma mulher foi libertada sob fiança.

O atentado, que fez cinco mortos e dezenas de feridos, incluindo um jovem português, foi revindicado pelo Estado Islâmico, na quinta-feira.  Através da agência afeta ao grupo extremista, a Amaq. os jhiadistas fizeram saber que o atacante era "um soldado do Estado Islâmico e levou a cabo a operação numa resposta ao apelo para atacar países da coligação anti-Estado Islâmico".

Sofia Santana / atualizada às 13:00