O jornalista argelino Khaled Drareni foi esta terça-feira condenado em apelo a dois anos de prisão e vai permanecer sob detenção, referiu um dos seus advogados, Mustapha Bouchachi.

“Dois anos de prisão efetiva para Drareni. Vamos recorrer para o tribunal de cassação”, declarou Bouchachi citado pela agência noticiosa AFP.

“A sua manutenção sob detenção é a prova de um encerramento do regime numa lógica de repressão absurda, injusta e violenta”, reagiu Christophe Deloire, secretário-geral dos Repórteres sem Fronteiras (RSF), uma organização não governamental (ONG) da qual Khaled Drareni era correspondente na Argélia.

Detido desde 29 de março, Khaled Drareni tornou-se um símbolo do combate pela liberdade de expressão e o veredicto do seu processo em apelo era aguardado para esta terça-feira no tribunal de Argel.

“Estamos escandalizados pela cega obstinação dos juízes argelinos que acabam de condenar @khaleddrareni a dois anos de prisão [em apelo]”, afirmou Deloire em comunicado.

Em 10 de agosto, Drareni foi condenado a três anos de prisão por “atentado à unidade nacional após ter efetuado a cobertura jornalística de uma manifestação do ‘Hirak’, o movimento popular de contestação ao poder.

"É um veredicto muito pesado para Khaled Drareni. Três anos de pena efetiva. Estamos surpreendidos", disse Nouredine Benissad, na ocasião dos advogados do coletivo de defesa do jornalista e também presidente da Liga Argelina dos Direitos Humanos (LADH).

No início de agosto, o Ministério Público argelino tinha pedido quatro anos de prisão efetiva para Khaled Drareni, símbolo do combate pela liberdade de expressão na Argélia, e para dois coacusados, pedido que a organização RSF considerou “preocupante e chocante".

Drareni, 40 anos, dirigia o portal digital informativo Casbah Tribune e, além da colaboração com os RSF, era o correspondente na Argélia da cadeia televisiva francesa TV5Monde.

O jornalista estava indiciado por “incitamento a uma concentração não armada e atentado à integridade do território nacional”, após ter efetuado a cobertura jornalística no início de março em Argel de uma manifestação de estudantes no âmbito do ‘Hirak’, que durante mais de um ano desafiou o poder até à sua suspensão devido à pandemia da Covid-19.

Foi ainda acusado de ter criticado no Facebook “a corrupção e o dinheiro” do sistema político e de ter publicado o comunicado de uma coligação de partidos políticos que apelava a uma greve geral, segundo os RSF.

No início de um processo em apelo, há uma semana, o procurador pediu novamente quatro anos de prisão efetiva.

“Ao desincentivar a sua cobertura jornalística, uma justiça argelina às ordens julga possível colocar o ‘Hirak’ numa panela de pressão e fechar a tampa. É uma estratégia vã, explosiva, que compromete a legitimidade de quem a pratica”, denunciaram os RSF.

Khaled Drareni foi julgado na companhia de Samir Benlarbi e Slimane Hamitouche, duas figuras do movimento de protesto popular ‘Hirak’.

Indicados pelas mesmas atas de acusação, Benlarbi e Hamitouche foram condenados a quatro meses de prisão. Pelo facto de terem cumprido a pena, foram colocados em liberdade pelo tribunal de Argel.

/ RL