Em Kibera, a maior favela do Quénia, vive-se um cenário caótico. Milhares de pessoas que ficaram desempregadas por causa da pandemia do Covid-19, entraram em confrontos por causa de comida. 

Nas imagens é possível ver o amontoado de pessoas que procura trocar uma senha de refeição por alimentos. O incidente, que ocorreu na semana passada, provocou vários feridos e as autoridades chegaram mesmo a intervir, tendo de disparar gás lacrimogéneo.  

“As pessoas feridas são muitas, não conseguimos contar. Mulheres e crianças foram feridas. É comida que procuramos para não morrer à fome”, conta Evelyn Kemuto, moradora da favela à AP.

Esta favela, que fica a cerca de seis quilómetros de Nairobi, abriga as comunidades mais pobres do país.

A informação sobre o número de habitantes varia entre os 170 mil e mais de meio milhão. A falta de condições de higiene, como saneamento e água potável tornam o combate ao coronavírus difícil. Para além disto, o facto de as cidades estarem lotadas fazem com que o distanciamento social seja praticamente impossível. 

No país, são várias as organizações que ajudam as comunidades a ultrapassar estes tempos. A SHOFCO – Shining Hope for Communities, uma organização sem fins lucrativos, tem vários projetos em mãos e já conseguiram construir pontos com água potável, e colaboram com as autoridades de saúde na realização de testes, estando com os locais a desenvolver ações de consciencialização para o perigo deste novo vírus.

No Quénia, registam-se 296 infetados com o novo coronavírus, 14 vítimas mortais e 74 pessoas totalmente recuperadas.

Márcia Sobral