O embaixador italiano em Kinshasa foi morto a tiro, esta segunda-feira, num ataque armado a um comboio do Programa Alimentar Mundial (PAM), durante uma visita perto de Goma, no leste da República Democrática do Congo, segundo fontes diplomáticas.

O embaixador Luca Attanasio “morreu em consequência dos ferimentos", disse à agência AFP uma fonte diplomática em Kinshasa.

Neste ataque foram também mortas outras duas pessoas, de acordo com o porta-voz do exército na região do Kivu Norte, major Guillaume Djike, que não revelou a identidade das vítimas.

A zona é de risco, fica junto à fronteira com o Ruanda. A PSP tem uma equipa da Unidade Especial de Polícia a garantir a segurançaa da representação diplomatica nacional em Kinshasa e está tudo bem com os elementos diplomáticos e polícias.

"Ataque cobarde", diz presidente italiano

O Presidente italiano Sergio Mattarella denunciou hoje o “ataque cobarde” que custou a vida ao seu embaixador na República Democrática do Congo, Luca Attanasio, ao soldado italiano Vittorio Iacovacci e ao seu motorista.

A república italiana está de luto por estes servidores do Estado que perderam a vida no exercício das suas funções”, acrescentou Mattarella, lamentando o “ato de violência” perpetrado contra um comboio do Programa Alimentar Mundial (PAM) no leste da República Democrática do Congo.

Luca Attanasio, que desempenhava as funções de embaixador na República Democrática do Congo desde início de 2018, foi “baleado no abdómen” e transportado “em estado crítico” para um hospital em Goma, segundo disse à agência AFP uma fonte diplomática.

O exército congolês disse, entretanto, que “as Forças Armadas Congolesas estão a tentar descobrir quem são os agressores”.

As reações europeias

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, mostrou-se “chocado” com o ataque a um comboio do Programa Alimentar Mundial (PAM) na República Democrática do Congo, que provocou a morte do embaixador italiano no país, Luca Attanasio.

Chocado pelo ataque a um comboio do PAM na República Democrática do Congo e pelas vidas perdidas, entre as quais a do embaixador de Itália e de um militar”, reagiu Charles Michel, através da sua conta oficial na rede social Twitter.

Em italiano, o presidente do Conselho Europeu deseja “as sentidas condolências à família do embaixador e à sua escolta”, e refere que “a segurança e a paz devem ser asseguradas”.

A União Europeia (UE) manter-se-á ao lado da República Democrática do Congo e da sua população”, lê-se na publicação.

Além de Charles Michel, o presidente do Parlamento Europeu (PE), o italiano David Sassoli, também reagiu ao ataque na República Democrática do Congo através do Twitter.

Frisando ser “com grande pesar” que tomou conhecimento do falecimento do embaixador italiano e de um polícia dos Carabinieri, Sassoli diz que os “seus pensamentos”, assim como os do PE, “vão para as famílias das vítimas”.

Entretanto, a UE informou que está a seguir “de perto”, e já ao nível de chefes de diplomacia, as “terríveis notícias” do ataque a uma missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo.

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, condenou veementemente o ataque armado contra um comboio humanitário na República Democrática do Congo, em que morreu o embaixador italiano naquele país, qualificando-o como "um ataque cobarde”.

Falando numa conferência de imprensa em Bruxelas no final de uma reunião presencial de chefes da diplomacia da União Europeia – no decurso da qual chegou a notícia do ataque, Augusto Santos Silva disse lamentar “profundamente a morte do embaixador italiano e também a morte de outras pessoas que iam no comboio” humanitário do Programa Alimentar Mundial, das Nações Unidas.

Só há uma caracterização possível deste ataque: é um ataque cobarde. Um ataque a um comboio das Nações Unidas, um ataque a um comboio do Programa Alimentar Mundial só pode ser qualificado como aquilo que é: um ataque cobarde e inaceitável na sua cobardia”, acusou Santos Silva.

. / Publicada por MM - Notícia atualizada às 17:52