O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, informou na sexta-feira o Congresso da sua intenção de retirar os rebeldes iemenitas Huthis da lista de grupos considerados terroristas pelos Estados Unidos, anunciou o Departamento de Estado.

Notificámos formalmente o Congresso da intenção do secretário de Estado de anular [a designação]", disse um porta-voz do Departamento de Estado.

Os Huthis tinham sido classificados como grupo terrorista pela administração do Presidente Donald Trump nos últimos dias do seu mandato, uma medida criticada por organizações não-governamentais, que denunciaram o agravamento das dificuldades de assistência no terreno.

O porta-voz do Departamento de Estado esclareceu que a medida assenta em razões humanitárias.

Esta decisão não tem nada a ver com o que pensamos dos Huthis e da sua conduta condenável, que inclui ataques a civis e o rapto de cidadãos norte-americanos", disse.

 

A nossa ação deve-se unicamente às consequências humanitárias desta designação de última hora pela administração anterior, que as Nações Unidas e as organizações humanitárias têm desde então deixado claro que iria acelerar a pior crise humanitária do mundo", precisou o porta-voz.

O Departamento de Estado acrescentou ainda que os Estados Unidos continuam "empenhados em ajudar a Arábia Saudita a defender o seu território contra novos ataques" dos rebeldes.

O conflito no Iémen opõe há mais de seis anos os rebeldes Huthis, apoiados pelo Irão, às forças governamentais, ajudadas desde 2015 por uma coligação liderada pela Arábia Saudita.

Segundo organizações internacionais, a guerra já causou dezenas de milhares de mortos, milhões de deslocados e a pior crise humanitária do mundo.

O anúncio do secretário de Estado surge depois de o novo Presidente norte-americano, Joe Biden, ter anunciado o fim do apoio dos Estados Unidos à coligação dirigida por Riade, na quinta-feira.

O antecessor de Blinken, Mike Pompeo, tinha anunciado a classificação dos Huthis como grupo terrorista pouco antes de deixar o cargo, em janeiro.

Pompeo justificou a mudança com as ligações ao Irão dos Huthis, que governam de facto grande parte do Iémen, incluindo a capital, Sana'a, e um ataque dos rebeldes em 30 de dezembro no aeroporto de Aden, a segunda maior cidade do Iémen.

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