O presidente do Conselho Europeu (CE), Charles Michel, sugeriu, nesta sexta-feira, aos líderes da Arménia e do Azerbaijão que mantenham um encontro em Bruxelas à margem da Cimeira da Parceria Oriental agendada para 15 de dezembro, o que foi aceite.

Em comunicado, o gabinete do presidente do CE indicou que Michel manteve hoje contactos telefónicos com o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliev, e com o primeiro-ministro da Arménia, Nikol Pachinian, na sequência de conversações por telefone mantidas no início da semana e relacionadas com a situação na região de Nagorno-Karabakh.

De acordo com o comunicado, os dois dirigentes aceitaram encontrar-se em Bruxelas para discutir a situação regional e as formas de ultrapassar o recente regresso das tensões nesta região do Cáucaso do sul.

Os dirigentes arménio e azeri também concordaram em estabelecer uma linha de comunicação direta a nível dos respetivos ministros da Defesa, na forma de um “mecanismo de prevenção de incidentes”.

Na passada terça-feira, e num primeiro contacto, Charles Michel tinha já solicitado aos responsáveis arménios e azeris um “urgente desanuviamento” e um “cessar-fogo total”, após o regresso dos combates entre forças dos dois países perto da disputada região do Nagorno-Karabakh.

As tensões voltaram a agravar-se nas últimas semanas entre a Arménia e o Azerbaijão, duas antigas repúblicas soviéticas, que no domingo passado já se tinham acusado mutuamente de disparos na fronteira comum.

O Kremlin (presidência russa) referiu que a mediação do presidente russo, Vladimir Putin, foi decisiva para o restabelecimento na passada terça-feira do cessar-fogo na fronteira entre os dois países, que proclamaram a independência em 1991 na sequência da desagregação da União Soviética. No entanto, prosseguiram confrontos esporádicos entre as forças militares rivais.

História de violência

No outono de 2020, os dois países vizinhos envolveram-se num curto mas sangrento conflito em torno do enclave de Nagorno-Karabakh, já palco de uma primeira guerra no início da década de 1990 e que provocou mais de 6.500 mortos.

Depois de um acordo de cessar-fogo após mediação da Rússia e envolvimento da Turquia, foi estabelecido o envio de uma força militar russa de manutenção da paz.

Os combates de 2020 implicaram uma pesada derrota da Arménia, forçada a ceder diversas regiões situadas em torno do enclave separatista de maioria arménia, em território do Azerbaijão, e agora mais expostas às eventuais ofensivas das forças militares azeris.

Este enclave, com maioria de população arménia (cristãos ortodoxos) e que se encontra em território do Azerbaijão muçulmano, proclamou a sua independência em 1991 e solicitou a sua integração na Arménia.

Seguiu-se um violento conflito entre estas duas ex-repúblicas soviéticas (1992-1994) que causou cerca de 30.000 mortos e centenas de milhares de refugiados.

Na sequência dessa guerra, na ocasião com predomínio militar arménio, foi assinado um cessar-fogo em 1994 e aceite a mediação do Grupo de Minsk (Rússia, França e Estados Unidos), constituído no seio da Organização de Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), mas as escaramuças armadas continuaram frequentes, em particular durante a guerra de quatro dias em 2016.

A declaração de independência do enclave do Nagorno-Karabakh foi legitimada por três referendos organizados pelas autoridades arménias locais (1991, 2006 e 2017), mas nunca foi reconhecida internacionalmente, incluindo pela Arménia.

/ BMA