Os presidentes das instituições europeias admitiram esta sexta-feira ter “sentimentos mistos” face ao Brexit, lamentando a saída do Reino Unido, mas garantindo que é com “muita determinação” que a União despertará no sábado a 27 para "um novo capítulo".

Quando o sol nascer amanhã, um novo capítulo para a nossa UE a 27 (Estados-membros) vai começar. E com ele vem uma oportunidade única numa geração para assegurar que a Europa lidera nas transformações ecológica e digital”, declarou a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, numa conferência de imprensa conjunta em Bruxelas com os presidentes do Conselho Europeu, Charles Michel, e do Parlamento Europeu, David Sassoli.

Von der Leyen apontou que no sábado, “quase meio século depois, a adesão do Reino Unido à UE termina” e lembrou que, quando os britânicos aderiram, o projeto europeu contava com seis Estados-membros.

Amanhã (sábado) vamos ser 27 Estados-membros, e ao longo de todos estes anos a União ganhou ímpeto político e tornou-se um ator económico de primeiro plano a nível mundial. Em mais nenhum sítio do mundo se pode encontrar 27 nações, com 440 milhões de pessoas que falam 24 línguas diferentes e que contam uns com os outros, trabalham em conjunto e vivem juntas”, disse.

Comentando que “os desafios que a União enfrenta e as oportunidades que pode agarrar não mudaram devido ao Brexit”, a presidente do executivo comunitário, referindo-se ao “retiro” de presidentes das instituições que teve lugar na véspera para uma reflexão em conjunto sobre o futuro da União, insistiu que o combate às alterações climáticas e a revolução digital são os grandes desafios com que os “Vinte e Sete” devem agora lidar.

Quando às relações futuras com o Reino Unido, indicou que a Comissão apresentará na segunda-feira a sua proposta para a negociação que agora se segue com Londres, apontou que o desejo da UE é ter “a melhor relação” com o seu futuro ex-membro, mas advertiu que esta “nunca será tão boa como ser membro”.

Queremos a melhor parceria possível com o Reino Unido. Mas é claro que haverá sempre uma diferença, porque pertencer à UE conta. A união faz a força”, disse.

Por seu turno, Charles Michel comentou que se trata de “um dia excecional para a UE, fora do comum para o projeto europeu”.

Hoje temos provavelmente sentimentos mistos. Nunca é um momento feliz quando alguém parte, mas estamos a abrir um novo capítulo e vamos devotar toda a nossa energia na construção de uma UE mais forte e mais ambiciosa”, disse.

Defendendo que, “mais do que nunca”, a União deve ser mais eficiente e “apresentar mais resultados a todos os cidadãos europeus”, o presidente do Conselho afirmou-se convicto de que as três instituições vão ao longo dos próximos meses “trabalhar em conjunto nas prioridades comuns e na agenda comum, para mostrar que este projeto europeu único é um projeto muito forte e positivo”.

Temos muitas razões para ser mais autoconfiantes e mais assertivos”, declarou.

Por fim, o presidente do Parlamento, David Sassoli, enfatizou a unidade mostrada pelo 27 durante o longo processo do ‘Brexit’ e comentou que a partir de sábado há que iniciar com o Reino Unido uma negociação, afirmando que a União partirá para a mesma “de forma empenhada e com amizade”, voltando todavia a enfatizar que cabe aos britânicos decidir o quão próximos querem ficar da União.

Num artigo conjunto publicado esta sexta-feira em vários jornais europeus, os três líderes das instituições voltam a advertir Londres que o Reino Unido não pode ambicionar a gozar de livre acesso ao mercado único sem dar nada em contrapartida à União, designadamente a livre circulação de pessoas.

Sem livre circulação de cidadãos, não pode haver livre circulação de capitais, bens e serviços”, voltaram a advertir.

A declaração conjunta dos três presidentes teve lugar a poucas horas de o Reino Unido abandonar oficialmente a União Europeia, o que acontecerá às 23:00 desta sexta-feira (hora de Lisboa e de Londres), 00:00 de sábado em Bruxelas.

/ CE