Oficialmente, as autoridades ainda não identificaram os três extremistas que voltaram a lançar o medo em Londres, no passado sábado, roubando a vida a sete pessoas e deixando outras 48 feridas. 21 estão em estado grave. No entanto, uma vizinha dos terroristas, que acabaram abatidos pela polícia, garantiu que, há dois anos, fez queixa dele às autoridades.

Em declarações ao The Guardian, Erica Gasparri explica que denunciou o homem à polícia há cerca de dois anos, por suspeitar que ele tinha visões extremistas e tentava radicalizar as crianças no parque do bairro onde residiam.

Mas esta vizinha não terá sido a única. Um ex-amigo do mesmo homem conta que também contatou a polícia de Barking, depois de discutir com ele ataques terroristas reivindicados pelo estado islâmico e conhecer a sua visão sobre o assunto. Em declarações à BBC Asia, este ex-amigo recorda que o suspeito de terrorismo tinha por hábito ver vídeos no Youtube de Ahmad Musa Jibril, um muçulmano radical, com um discurso de ódio às sociedades ocidentais.

Liguei para a linha de emergência do terrorismo”, conta “e falei com um homem. Disse-lhe que tido uma conversa com ele [o suspeito] e que suspeitava que ele tinha sido radicalizado

De alguma forma, considera que “a polícia não fez a sua parte”. “Eu fiz o que me competia e sei que outros fizeram o mesmo, mas acho que a polícia não fez o seu trabalho”, explica.

Na verdade, este suspeito, denunciado às autoridades, terá também, segundo outros órgãos de comunicação social britânicos, aparecido num documentário do Channel 4, no ano passado, relacionado com jihadistas britânicos. Na altura, terá sido captado em vídeo numa discussão com a polícia, após uma bandeira preta – que tem sido associada ao Estado Islâmico - ter sido desfraldada no Regent Parque, em Londres.

No referido documentário, um grupo de muçulmanos, incluindo o alegado atacante, rezaram em frente à bandeira e reagiram mal quando a polícia os questionou sobre esta. Foram detidos durante uma hora, mas acabaram por ser libertados, escreve o The Guardian, por que a polícia não encontrou a referida bandeira.

Depois do ataque a Manchester, foi tornado público que Salman Abedi, o extremista que se explodiu após o concerto de Ariana Grande, que matou 22 pessoas e deixou 59 feridas, também já tinha sido referenciado às autoridades. Os serviços secretos, MI5, determinaram mesmo a abertura de um inquérito interno para apurar o que se tinha passado.

Recorde-se que nos últimos três meses, três ataques terroristas aconteceram no Reino Unido. o primeiro em março, na ponte de Westminster, que terminou com cinco mortos e 40 feridos. Em seguida o de 22 de maio, em Manchester, após o concerto de Ariana Grande e, por fim, o do último sábado, também na capital do Reino Unido, Londres.