O presidente do México criticou esta quarta-feira os países europeus que estão a adotar medidas como o confinamento para conter a pandemia de covid-19, numa altura em que os casos começam a chegar a níveis alarmantes. Andrés Manuel López Obrador afirma que isso roça o autoritarismo.

As palavras do chefe de estado mexicano surgem na sequência da Alemanha ter decretado um confinamento parcial em todo o território, medida que entra em vigor no próximo dia 2 de novembro. Já depois das palavras de López Obrador, o presidente francês, Emmanuel Macron, decretou um confinamento generalizado.

Em conferência de imprensa para todo o país, López Obrador lamentou as medidas tomadas na Europa, pedindo aos governos que mostrem mais fé nas populações.

O que isto expressa é um desejo de autoritarismo por parte das autoridades, do governo, com todo o respeito. Os confinamento não são um sinal de fé nas pessoas. É colocarem-se acima como autoridade e olhar para os cidadãos como crianças, como se eles não percebessem. Nem mesmo nos seus piores momentos a Europa teve estes confinamentos e estas medidas", afirmou o presidente mexicano, quando questionado se o país poderia vir a aplicar medidas mais restritivas para controlar os contágios.

As autoridades de países como França, Espanha, Itália ou República Checa já decretaram medidas como o recolhimento obrigatório, e é esperado que mais países europeus sigam medidas semelhantes.

O México já registou mais de 900 mil casos do novo coronavírus, levando a um total de quase 90 mil mortes, o que confere ao país uma das taxas de letalidade mais altas em todo o mundo (perto de 10%). Estes são os números oficiais, mas as autoridades mexicanas já admitiram que os verdadeiros dados podem ser ainda piores.

O governo mexicano avisou recentemente para uma subida de casos em algumas regiões do país, apelando à população que adira às normas de distanciamento social e para que sejam evitados grandes ajuntamentos, nomeadamente em celebrações.

López Obrador pediu à população que pratique a higiene pessoal, o distanciamento social e a responsabilidade individual, procurando evitar "medidas coercivas" que, no seu entender, não resolvem o problema.

António Guimarães