Uma pessoa morreu e toda a cidade de Nova Orleães está sem energia. São estas as primeiras duas grandes consequências do furacão Ida, um dos piores da história dos Estados Unidos, e cujos reais efeitos ainda são desconhecidos.

Nas primeiras horas da noite, uma pessoa morreu na sequência da queda de uma árvore na cidade de Baton Rouge, capital do estado do Luisiana. A informação foi confirmada pelos serviços de socorro, à medida que muitas áreas vão ficando totalmente inundadas.

Por volta da mesma altura, uma torre de transmissão caía ao rio Mississipi, o que, em conjunto com a falha em todas as oito redes energéticas da zona metropolitana de Nova Orleães, provocou um apagão total na cidade, a maior do estado, e que tem cerca de 400 mil pessoas.

Ao todo, e segundo o serviço de energia dos Estados Unidos, cerca de um milhão de pessoas está sem energia, uma situação que as autoridades já alertaram que pode durar várias semanas.

Imagens partilhadas nas redes sociais mostram  o cenário de devastação nos bairros do Luisiana.

Entretanto, presidente norte-americano Joe Biden aprovou o pedido do estado da Luisiana para uma declaração federal de estado de calamidade, devido à passagem do furacão Ida. Desta forma, o presidente  permite a disponibilização de fundos federais para todas as pessoas afetadas em 25 distritos, de acordo com uma declaração da Casa Branca no domingo.

A assistência pode incluir subsídios para habitação temporária e reparações habitacionais, empréstimos de baixo custo para cobrir perdas de propriedades sem seguro e outros programas para ajudar as várias pessoas e os proprietários de negócios a recuperarem dos efeitos do desastre", diz o comunicado.

O furacão Ida deu este domingo entrada na costa do Luisiana, Estados Unidos. A tempestade entrou por Port Fourchon a uma velocidade de 241 quilómetros por hora, estando classificada como sendo de categoria 4.

A tempestade entrou por volta das 11:55 locais, mais seis horas em Portugal Continental, e nem meia hora depois já fazia os primeiros estragos.

Um pouco mais tarde, e situando-se a 72 quilómetros a sudoeste de Nova Orleães, o Ida perdeu alguma da sua força, ainda que continue a ser classificado como furacão de categoria 4, com ventos que superam os 200 quilómetros por hora. Apesar disso, e uma vez que a velocidade de deslocação também diminuiu, é esperado um aumento das cheias, uma vez que as chuvas vão fazer-se sentir durante mais tempo em determinados pontos.

Entretanto, o departamento de bombeiros da cidade de Delacroix, no Luisiana, partilhou um vídeo onde se podem ver os efeitos da Natureza, comparando diferentes momentos para ilustrar a passagem do Ida.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos confirmou que o rio Mississipi inverteu o seu curso natural, algo que aconteceu precisamente com o Katrina, mas que os especialistas consideram ser um evento raro.

Estes dados fazem com que o Ida iguale o furacão mais forte de sempre a atingir terra no Luisiana, igualando a velocidade do Furacão da Última Ilha, ocorrido em 1856, confirmando as expectativas das autoridades, que avisaram que esta podia ser uma das piores tempestades da história.

A dimensão do furacão é tal que é totalmente visível a sua forma a partir do espaço, como mostrou a NASA através da conta no Twitter.

Prevendo o pior, a Agência Federal de Gestão de Emergências enviou vários mantimentos para o Luisiana, entre os quais se contam 200 ambulâncias, 139 mil tendas, 3,5 milhões refeições e 2,5 milhões litros de água. Outras 22 duas agências federais estão também a prestar auxílio, esperando-se a chegada de vários mantimentos nas próximas horas.

Ainda antes da chegada do Ida, e perante os avisos que surgiam de toda a parte, muitos populares acorreram aos supermercados em busca de mantimentos, até porque não se sabe quando vão poder sair de casa.

É o caso de Terry Shelvin, que encheu a bagageira do carro depois de uma ida ao supermercado na cidade de Lafayette.

O percurso do Ida

O Ida entrou em terra em Port Fourchon, e segundo o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos, os seus efeitos devem sentir-se até à próxima sexta-feira, ainda que a tempestade vá perdendo força de forma gradual.

É nas próximas horas que o perigo é maior, e a grande atenção vai para a zona da península de Nova Orleães, precisamente na zona que está demarcada a vermelho no mapa demonstrado abaixo.

O furacão vai acabar por perder força com o passar das horas, e na tarde desta segunda-feira deve descer a sua classificação para tempestade tropical.

O Ida chega aos Estados Unidos exatamente 16 anos depois do Katrina, furacão que em 2005 devastou os estados do Luisiana e do Mississipi, causando na altura quase duas mil mortes, deixando ainda graves consequências económicas e sociais na vida da população local.

António Guimarães / Atualizada às 09:08