Mais de 800 pessoas foram detidas este domingo na Bielorrússia, durante manifestações de protesto contra o presidente, Alexandr Lukashenko, revelou a organização de defesa dos direitos humanos Viasna.

Os manifestantes voltaram a exigir a demissão de Alexandr Lukashenko e exigiriam que o cargo seja ocupado por Svetlana Tikhanovskaia, uma das principais figuras da oposição no país.

Segundo aquela organização, que durante a tarde de hoje tinha anunciado a detenção de 400 pessoas, o número subiu para 830, em Minsk e noutras cidades bielorrussas. Entre os detidos há jornalistas e algumas figuras públicas, nomeadamente o atleta olímpico Andrei Krauchanka e a 'miss Bielorrússia' Olga Jinikova.

A agência France Press (AFP) fala de um forte aparato policial em Minsk e detenções feitas com grande violência, por polícias fardados e à civil com a cara coberta.

A oposição bielorrussa tem organizado marchas de protesto semanais desde agosto, reunindo dezenas de milhares de pessoas, às vezes mais de 100 mil, apesar da resposta repressiva do regime.

Depois de três meses de contestação histórica, a situação parece estar num impasse diante da recusa de Lukashenko em deixar o poder, refere a AFP.

Exilada, a principal opositora, Svetlana Tikhanovskaïa, disse este domingo que estes 90 dias de manifestações e de inflexão do regime mostram que "perdeu a sua legitimidade e o seu poder".

A Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) apelou, na quinta-feira, à anulação dos resultados das presidenciais na Bielorrússia e denunciou “torturas sistemáticas” e “violações em massa dos direitos humanos” no seu primeiro grande relatório sobre o país.

Existem provas avassaladoras que demonstram que as eleições presidenciais de 9 de agosto foram falsificadas e violações em massa e sistemáticas dos direitos humanos cometidas pelas forças de segurança em resposta às manifestações pacíficas”, indica o documento discutido em Viena perante o Conselho Permanente da organização.

A OSCE exige novas e “verdadeiras” eleições que cumpram os “critérios internacionais”, na presença de observadores independentes.

Alexandr Lukashenko, no poder há 26 anos, foi reeleito a 09 de agosto num escrutínio contestado como fraudulento pela oposição.

/ AG