A 2 de agosto de 1986, Amy Elizabeth Fleming e o seu então companheiro participaram às autoridades o desaparecimento do filho dela, Francillon Pierre, então com três anos. De acordo com os documentos do processo, citados pelos órgãos de informação norte-americanos, terão dito à polícia que a criança se afastou deles, durante um evento. Durante décadas, o caso não foi resolvido.

De acordo com a chefe de polícia de Las Vegas, Pamela Ojeda, já na altura os inspetores tinham suspeitado do envolvimento de Amy no desaparecimento do filho. Não havia, contudo, provas que sustentassem uma acusação.

Em 2017, mais de 30 anos depois, os detetives foram informados, por uma denúncia anónima, de que alguém tinha preenchido um processo, usando a identidade de Francillon e uma certidão de nascimento dele. O documento não levou ao rapaz desaparecido, mas fez com que os investigadores resolvessem reabrir o caso e analisar as provas de uma outra perspetiva e levar a cabo novos interrogatórios.

Os agentes perceberam o que deviam fazer e quem deviam voltar a interrogar e que outras provas precisavam procurar. Passaram tudo a pente fino para levarem a cabo uma acusação completa”, explicou Pamela Ojeda, numa conferência de imprensa.

A mão do rapaz acabou agora acusada do seu homicídio. Amy, que tem agora 60 anos, foi detida a 29 de janeiro, na Florida, ao abrigo de um mandado para procura de fugitivo emitido pelo estado do Nevada.

De acordo com o jornal Palm Beach Post, a mulher está sob custódia policial e deverá ser extraditada do estado da Florida para o Nevada.

Amy e o namorado enfrentavam um processo por maus tratos a menores, ocorridos em 1985. Tinham agredido Francillon de tal forma que o menino, então com dois anos, apresentava cerca de 40 vergões em todo o corpo, supostamente provocados por um cinto. Estavam à espera de ir a tribunal quando a criança desapareceu.  

A polícia chegou a suspeitar do pai do menino, Jean Pierre, que morava no Haiti, mas nenhum vestígio do menino foi encontrado em sua casa, e o homem foi sujeito a um detetor de mentiras, tendo passado no teste.

Mais de 30 anos depois, a polícia ainda não sabe como Francillon morreu ou onde está seu corpo. O homem que aplicou o teste do polígrafo a Amy e ao então namorado acredita que eles mataram o menino e o atiraram para um lago. Porém, nunca os conseguiu apanhar no detetor de mentiras e assegura que ambos “eram muito engenhosos”.

Nesta reabertura do processo, os investigadores analisaram correspondência trocada entre o casal, enquanto estavam presos por obstrução à justiça. Os dois declararam-se culpados por mentirem à polícia durante a investigação original sobre o desaparecimento de Francillon.

Nessas cartas, raramente fazem referência à criança. Mas há uma em que Amy pede desculpas ao namorado: “O que aconteceu foi totalmente não intencional. Você sabe disso.”

Agora, a polícia admite que continua sem provas irrefutáveis, “como um corpo ou amostras de ADN”. “É um caso em que pequenas coisas juntas nos levam a crer que Amy Fleming esteve envolvida no homicídio do filho”, disse o detetive Steven Wiese, em conferência de imprensa.

A polícia não esclarece se o namorado de Amy também vai enfrentar a acusação da morte de Francillon.

Manuela Micael