Um tribunal italiano condenou 70 membros do poderoso grupo mafioso 'Ndrangheta, na primeira fase do maior julgamento da Máfia desde finais da década de 1980. O juiz Claudio Paris leu os veredictos contra 91 arguidos no tribunal da cidade de Lamezia Terme, na Calábria, sul de Itália.

O julgamento começou em janeiro e deverá prolongar-se durante dois anos, pelo menos, uma vez que ainda estão por julgar 355 réus, alegadamente mafiosos, ou seus colaboradores, e funcionários corruptos. Os réus enfrentam acusações de corrupção mas também de tentativa de homicídio, extorsão, tráfico de drogas e abuso de poder. Centenas de advogados e quase mil testemunhas estão envolvidas.

As 91 pessoas condenadas este sábado optaram por um "julgamento máximo", ou seja, mais rápido, à porta fechada, o que lhes permitiu, em caso de condenação, ter a pena reduzida em um terço.

Os juízes deram a seis dos condenados a sentença máxima de 20 anos exigida pelos promotores. Entre eles estão Domenico Macri, da ala militar do grupo, Pasquale Gallone, o braço direito do suposto chefe da máfia Luigi Mancuso, cujo julgamento ainda está em andamento, e Gregorio Niglia, que teve o papel de adquirir armas e de extorsão.

Cerca de um terço desse grupo recebeu sentenças de dez anos ou mais e 21 pessoas foram absolvidas,

A 'Ndrangheta é uma rede criminosa composta por cerca de 150 famílias. Este julgamento visava apenas uma delas: a família Mancuso.

O alegado chefe, Luigi Mancuso, de 67 anos, que é conhecido como  "o tio", e o ex-senador Giancarlo Pittelli, de 68 anos enfrentarão julgamentos mais longos. 

O caso é liderado por Nicola Gratteri, um dos mais respeitados promotores da Itália, que persegue a Máfia há mais de 30 anos. Gratteri prometeu no início deste ano derrubar "esta asfixiante 'Ndrangheta, que realmente tira o fôlego e o coração das pessoas" e disse aos jornalistas que a sentença de sábado "correu muito bem".

A 'Ndrangheta, sediada na Calábria, está envolvida em uma ampla gama de atividades ilegais, mas é especializada no tráfico de cocaína e acredita-se que controle cerca de 80% do comércio europeu.

Maria João Caetano