A professora Maggie McDonnel nasceu na província da Nova Escócia, no Canadá. Mas dá aulas numa aldeia remota do Ártico canadiano. Professora e aldeia onde dá aulas estão nas bocas do mundo, porque esta mulher recebeu o prémio “Global Teacher Prize” e foi considerada a “Melhor Professora do Mundo”.

O prémio da Fundação Varkey, que dá ao vencedor um milhão de dólares, foi entregue este domingo, numa cerimónia realizada no Dubai.

Maggie McDonnel dá aulas, há sete anos, em Salluit, uma aldeia remota e isolada, na região canadiana do Ártico, com acesso apenas por via aérea. Nesta localidade, com 1300 habitantes, vive uma comunidade indígena esquimó, os Inuit. 

Durante o discurso de vitória, Maggie McDonnel referiu que já tinha trabalhado em países como a Tanzânia, Botswana e Congo, mas que nunca tinha passado por nada parecido com o que experienciou com a comunidade indígena Inuit, em Salluit.

Eu testemunhei dez suicídios, em apenas dois anos. As memórias dos próprios colegas a enterrar os corpos ainda me assombram”, disse Maggie McDonnel, durante o seu discurso.

Nos últimos anos, a comunidade Inuit tem enfrentado graves problemas de suicídio de jovens. De acordo com a BBC, apenas em 2015, seis jovens, com idades entre os 18 e os 25 anos, cometeram suicídio, em Salluit.

Maggie Mcdonnel dá aulas nesta aldeia do Ártico há sete anos e, quando se mudou, encontrou uma localidade com altos níveis de abandono escolar, gravidez na adolescência e abuso sexual.

A professora decidiu implementar novas formas de ensino na escola Ikusik, que iam além das atividades na sala de aula, e começou a ter bons resultados.

No site oficial do Conselho Escolar de Kativik, a que pertence a escola onde Maggie trabalha, é dito que a professora desenvolveu vários projetos que foram bem-sucedidos.

Maggie McDonnel criou um centro de treinos e um clube de atletismo, para os alunos praticarem exercício físico e poderem abstrair-se das adversidades. Vários membros do clube já participaram em competições nacionais e internacionais e ficaram bem qualificados.

Criou também um programa de liderança para mulheres e uma cozinha comunitária e promoveu aulas de mecânica.

A abordagem educacional de Maggie tem motivado os jovens que têm um ambiente familiar complicado”, disse o professor e colega de Maggie McDonnel, Iain Campbell, num vídeo publicado no site oficial da Fundação Varkey.

Maggie McDonnel competiu com outros 20 mil professores, escolhidos pelos organizadores do prémio “Global Teacher Prize”.

Entre os dez finalistas do prémio estavam ainda professores do Paquistão, Reino Unido, Jamaica, Espanha, Alemanha, China, Quénia, Austrália e Brasil.

Ao receber o prémio, a professora agradeceu à Fundação Varkey por “prestar atenção a uma comunidade indígena tão pequena e única”.

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, felicitou a professora e afirmou que Maggie está “a moldar o futuro”, segundo a BBC.

Depois de receber o prémio, Maggie Mcdonnel foi entrevistada num programa de rádio, onde foi questionada sobre o que irá fazer com o milhão de dólares que recebeu.

O meu sonho era criar uma ONG com os meus alunos, em que o foco seria trazer de volta a cultura do caiaque à comunidade, mas através do cuidado com o meio-ambiente e do compromisso dos jovens”, respondeu a professora à estação de rádio AM Quebec.

  
/ BM