A televisão da Coreia do Norte transmitiu um comentário fora do comum sobre a aparência “emaciada” de Kim Jong-un, uma observação surpreendente num país em que é proibida qualquer menção à privacidade e ao estado de saúde do líder.

A vida privada de Kim é tabu para os media norte-coreanos, mas na semana passada a KCTV transmitiu declarações de um habitante da capital afirmando que todo o país fica com “o coração partido” quando vê a sua aparência “emaciada”.

“Ver o nosso respeitável secretário-geral emaciado é o que mais magoa o coração do nosso povo”, disse.

Segundo analistas, a observação reflete a vontade das autoridades de aproveitarem a perda de peso do líder norte-coreano para fortalecer a lealdade ao regime em dificuldades.

Com uma economia sobrecarregada com as múltiplas sanções internacionais contra os seus programas militares, a Coreia do Norte está cada vez mais isolada após o encerramento das fronteiras para impedir a propagação do novo coronavírus.

Em meados de junho, Kim reconheceu que o país vivia uma crise alimentar, fazendo soar os alarmes num país cujo setor agrícola enfrenta graves dificuldades.

O estado de saúde do líder norte-coreano é seguido atentamente a nível internacional. O seu súbito desaparecimento levantaria problemas quanto à sucessão e estabilidade do regime.

Fumador inveterado, Kim sofre há muito de obesidade e o seu peso tem aumentado nos últimos anos.

O seu pai e o seu avô, que governaram a Coreia do Norte antes dele, morreram devido a problemas cardíacos.

Recentemente, Kim Jong-un apareceu significativamente mais magro em fotografias divulgadas pela agência oficial norte-coreana KCNA ou em imagens da televisão estatal.

Alguns observadores da Coreia do Norte disseram que Kim, que tem cerca de 1,70 metros de altura, pode ter perdido entre 10 e 20 quilogramas.

Analistas em Seul dividem-se, considerando alguns que Kim fez provavelmente uma dieta profilática e especulando outros que a sua perda de peso pode estar relacionada com problemas de saúde.

Para outros comentadores, Pyongyang utiliza o aspeto de Kim para o glorificar, retratando-o como um líder “dedicado e trabalhador”, quando o país tenta enfrentar a crise alimentar, entre outras.

O Norte fechou as fronteiras em janeiro de 2020 e o comércio com a China, o seu principal apoio económico e diplomático, ficou reduzido a quase nada.

/ HCL