Julen morreu no dia em que caiu no furo de prospeção de água, a 13 de janeiro, em Totalán, Málaga. A autópsia realizada ao corpo do menino de dois anos aponta para um “traumatismo cranioencefálico grave”, além de vários outros traumatismos no corpo.

A criança foi encontrada com os braços para cima, informação que não tinha sido adiantada pelo delegado do governo da Andaluzia, o que sugere que estaria a proteger-se da queda de pedras ou areia.

E é precisamente a terra que cobria Julen que está a gerar um foco de especulação.

A Guardia Civil procura, neste momento, clarificar como se formou um tampão de terra a 71 metros de profundidade, de uma dureza tão grande que impediu o resgate da criança numa primeira fase, obrigando à construção de um túnel paralelo.

As autoridades estão a analisar a terra que cobria Julen, sendo que a primeira hipótese em cima da mesa é a de que seja uma consequência do desprendimento de terras das paredes “imperfeitas e arenosas” do furo, como já tinha identificado Alfonso Gómez de Celis, na conferência de imprensa a seguir à retirada do corpo do menino.

Um desprendimento que terá sido provocado não só pela queda de Julen, mas também pela tentativa da família em resgatar Julen.

Quando o menino caiu vários familiares tentaram resgatá-lo. A terra pode ter caído na sequência dessas movimentações no terreno e, sendo um furo com 25 centímetros de diâmetro, não seria precisa muita terra para formar um tampão. Havendo humidade no furo, a terra compactou-se de tal forma que não foi possível aspirá-la”, explicou fonte da investigação, citada pelo El Mundo.

Em cima do tampão de terra foram, ainda, encontrados uma câmara Go Pro, uma picareta e uma lanterna, objetos usados no primeiro dia resgate.

O delegado do Colégio de Minas de Málaga, Juan López Escobar, é um dos responsáveis pela especulação à volta da terra que cobria Julen. Segundo este especialista, a formação do tampão não tinha explicação, deixando no ar a hipótese de que era constituído por terra vinda do exterior do furo.

A Guardia Civil está a analisar todas as teorias possíveis, recuperando a fita do tempo do que aconteceu nos dias anteriores à queda de Julen, recuando até à data da realização furo, a 18 de dezembro.

Neste momento, a única certeza é a de que o furo de prospeção de água era ilegal, ou seja, não tinha licença.

O funeral de Julem realiza-se neste domingo, às 12 horas locais.