O governo da Malásia viu-se obrigado a pedir desculpa às mulheres do país, depois de ter partilhado nas redes sociais alguma dicas para o sexo feminino em tempos de quarentena.

As dicas foram, entretanto, apagadas, mas não caíram no esquecimento: incentivo a que as mulheres andassem maquilhadas em casa, que não se descuidassem usando roupas informais, se estivessem a trabalhar de casa, e, por último, que não refilassem com os maridos.

O governo garante que não pretendia insultar as mulheres e que queria apenas ajudar as famílias, ao partilhar mensagens positivas e métodos de como manter boas relações durante este período de distanciamento social.

De acordo com a Al Jazeera, uma das publicações partilhada nos canais oficiais retratava um casal, com o homem sentado no sofá a aconselhar a mulher a não ser “sarcástica” se precisasse de ajuda com as tarefas domésticas.

Vários comentários como “como é que passamos de prevenir a violência doméstica para uma variante do clube das mulheres obedientes?” ou “não há dicas para lidar com a violência doméstica?” e ainda “pôr maquilhagem e vestir-me bem vai prevenir a doença?” inundaram as redes do governo.

A associação malaia All Women's Action Society (mulheres em ação na sociedade, na tradução literal) disse que este tipo de campanha promove a desigualdade de género e alertou o governo para a necessidade de parar a violência doméstica em vez de mandar mensagens sexistas. 

O governo da Malásia tem sido altamente criticado por ignorar o aumento dos casos de violência doméstica no país. A linha para apoio a pessoas vulneráveis recebeu quase 2 mil chamadas, o dobro do habitual, desde o início da quarentena. 

/ Marta Sofia Carvalho