Muitos fãs de Ariana Grande que se deslocaram à arena de Manchester esta segunda-feira, onde ocorreu um atentado que fez vários mortos, criticaram as medidas de segurança que foram implementadas no local. Várias pessoas disseram que não foram revistadas e que as autoridades estavam apenas interessadas em impedir a entrada de garrafas de água. 

Kieron Ferries, de 17 anos, e Sebastian Diaz, de 19 anos, viajaram de Newcastle até Manchester para verem o concerto da cantora norte-americana. Os jovens confirmaram à agência Reuters que nunca foram revistados e que, aparentemente, as pessoas que levavam malas e mochilas também não.

Nunca fomos revistados desde que entrámos nas filas. Algumas pessoas com quem falámos dizem que as malas não foram revistadas nem nada parecido. Costumo ir a concertos e ser revistado, mas desta vez não fui", sublinhou Ferries. 

Esta mesma informação foi confirmada por Nikola Trochtova, uma mulher de nacionalidade checa que também estava no concerto. Trochtova disse à radio pública do seu país que as autoridades só estavam interessadas em retirar as garrafas de água.

“Quase não havia controlo de segurança. A única coisa em que estavam interessados era saber se tínhamos garrafas de água connosco.“

A explosão ocorreu na arena de Manchester depois de Ariana Grande ter tocado a última música do espectáculo. A cantora já não estava em palco no momento do incidente. O relógio marcava cerca de 22:30.

O que se seguiu foi um cenário de caos, com os fãs, na sua maioria adolescentes e jovens, a gritar e a correr em direção às saídas mais próximas. As testemunhas no local contaram que viram uma nuvem de fumo e sentiram o cheiro a queimado na zona da entrada para o recinto.  

Sebastian Diaz descreveu à Reuters o que testemunhou durante estes momentos de pânico.

"Estávamos a sair depois da última canção quando ouvimos a explosão. Fomos para as portas e quando olhamos para trás estava o caos. À nossa frente havia pessoas a correr e a gritar. Decidimos sair e fugir. As pessoas continuavam a gritar à nossa volta e havia pessoas a desmaiar. Vimos mulheres a serem tratadas pelos paramédicos. Tinham feridas abertas nas pernas, não tinham sapatos. Era o caos.”

 Chris Parker, um sem-abrigo de 33 anos que estava no local quando se deu a tragédia, contou o que viu ao Manchester Evening News.

"As pessoas estavam a sair das portas quando ouvi um estrondo e, numa fração de segundos, um flash branco. Depois surgiu uma nuvem de fumo e as pessoas começaram a gritar."

O homem disse que ainda ajudou uma menina que não sabia da mãe e que uma mulher, na casa dos 60 anos, com graves ferimentos nas pernas, morreu nos seus braços.

"Ela morreu nos meus braços. Ela estava ali com a família.Ainda não parei de chorar. O mais chocante disto tudo é que se tratava de um concerto com muitas crianças."

Segundo o último balanço oficial feito pela polícia, a explosão provocou 22 mortos e 59 feridos.

Ariana Grande é o ídolo de muitos adolescentes e a maioria do público era, por isso, muito jovem, conforme se pode verificar nas imagens do local que foram partilhadas nas redes sociais. De resto, sabe-se que há crianças entre as vítimas.

As autoridades britânicas estão a tratar o incidente como um ataque terrorista. De acordo com o último comunicado da polícia, as autoridades acreditam que o ataque foi realizado por um bombista suicida que morreu no recinto.