O pai de Salman Abedi, o alegado bombista suicida do atentado de Manchester, defendeu o filho, negando que o jovem esteja ligado aos autores do ataque que matou 22 pessoas e feriu 59. Ramadan Abedi falou, por telefone, a partir de Tripoli, na Líbia, com a Associated Press (AP) e com a Bloomberg.

Nós não acreditamos na matança de inocentes. Isto não somos nós”, vincou à AP.

O progenitor garantiu à AP que falou com o filho há cinco dias e que o jovem parecia “normal”. Segundo o pai, Salman tinha estado na Líbia há cerca de um mês e meio. As autoridades, no entanto, acreditam que o jovem regressou da Líbia há poucos dias.

Ramadan Abedi confirmou que outro filho, Ismail, também foi detido pela polícia britânica. O homem disse ainda que Salman se preparava para viajar até à Arábia Saudita e daí para a Líbia para passar o mês do Ramadão com a família.  

Já em declarações à Bloomberg, Ramadan sublinhou que ficou chocado quando soube que o filho tinha sido identificado como o bombista suicida. Defendeu que o filho era tão religioso "como qualquer criança que nasce no seio de uma família religiosa" e que o jovem sempre tinha condenado os ataques semelhantes ao que aconteceu na arena de Manchester.

O meu filho era tão religioso como qualquer outra criança que nasça numa família religiosa. Quando falávamos sobre ataques como este, ele sempre os condenava, afirmando que eles não tinham qualquer justificação religiosa. Não percebo como é que ele pode ter estado envolvido num ataque que levou à morte de crianças."

Estas declarações surgem numa altura em que foi divulgado que Ramadan Abedi lutou contra o regime de Muammar Khadafi ao lado de um grupo que os Estados Unidos consideram ser uma organização terrorista, o Grupo de Combate Islâmico da Líbia (LIFG, na sigla em inglês).

De acordo com o departamento de Estado norte-americano, este grupo tinha ligações à Al-Qaeda de Osama Bin Laden e passou a ser considerado uma organização terrorista em 2004.

Ramadan e a mulher nasceram em Tripoli, na Líbia, mas emigraram para o Reino Unido nos anos 90 para fugirem ao regime de Khadafi. Primeiro viveram em Londres e depois mudaram-se para o sul de Manchester, para o bairro de Fallowfield, onde estiveram cerca de dez anos.

Salman, o segundo dos quatro filhos, nasceu em 1994, em Manchester. Frequentou as escolas locais e ingressou na Universidade de Salford, também na região de Manchester, para estudar gestão, mas acabou por desistir do curso.

Os pais mudaram-se para Tripoli depois da queda do regime. Desde então, Salman viajava para a Líbia para visitar a família. Viagens que agora estão a ser escrutinadas pelas autoridades.

A polícia de Manchester confirmou esta quarta-feira que as autoridades estão a investigar uma “rede” de terrorismo, após o atentado que ocorreu durante um concerto da cantora Ariana Grande.