Centenas de pessoas manifestaram-se este sábado em Roma, Itália, em protesto contra o uso obrigatório de máscaras como medida de resposta à propagação da covid-19, por considerarem ser um ataque à liberdade individual.

Este sábado realizaram-se duas manifestações, uma delas com muita participação, que reuniu centenas de pessoas na Piazza San Giovanni, e outra mais pequena, organizada por ativistas de extrema-direita do Forza Nuova, na zona onde se situa a Boca da Verdade.

Ambas são em protesto contra a utilização das máscaras, embora os participantes as tenham usado, uma vez que o chefe da polícia, Franco Gabrielli, já tinha avisado de que qualquer evento público deve ser realizado de "forma ordeira" e respeitando todas as regras estabelecidas pela legislação para evitar o contágio, ou seja, garantindo a distância interpessoal e a utilização das máscaras. Caso contrário, a polícia teria de dispersar os manifestantes, sublinhou num comunicado.

Os manifestantes que se reuniram na Piazza San Giovanni fizeram-no usando máscaras, alguns cobrindo apenas a boca e não o nariz, e muitos outros usando-as no queixo. Levaram bandeiras e faixas com mensagens tais como "Defendemos a Constituição" ou "Pelos nossos filhos, pela liberdade e democracia".

Os meios de comunicação italianos salientam que houve alguns momentos tensos, em que a polícia pediu a identificação de um dos participantes numa manifestação, que não estava a usar máscara, e o resto dos participantes começou a gritar "Vergonha" e "Liberdade".

Itália registou 5.724 novos casos de infeção com o novo coronavírus nas últimas 24 horas, o pior número verificado desde 28 de março, indicou o Ministério da Saúde.

Desde sexta-feira morreram mais 29 pessoas, elevando para 36.610 o total de óbitos desde o início da pandemia de covid-19 no país, em fevereiro.

Em comunicado, o Ministério da Saúde refere que, no total, desde fevereiro já foram reportados no país 349.494 casos de infeção com o novo coronavírus.

O número de novos casos reportado desde sexta-feira é o mais elevado desde 28 de março, quando se registaram 5.974 infeções.

Nas últimas 24 horas realizaram-se 133.048 testes, um novo recorde.

Das 5.724 novas infeções, 1.140 foram reportadas na região da Lombardia, a mais afetada pela pandemia. Na Campania (no sul do país) registaram-se 664 novos contágios e em Veneto 561.

Em declarações à comunicação social, o diretor da proteção civil italiana, Angelo Borrelli, admitiu que a curva de transmissão está a aumentar, embora a situação seja diferente de março e abril, pois há menos doentes internados nas unidades de cuidados intensivos.

Era esperado um aumento no contágio, mas a situação é diferente da de março e abril. Hoje temos um número significativo de pessoas infetadas, mas menos pessoas hospitalizadas em cuidados intensivos”, afirmou.

O governo italiano prorrogou recentemente o estado de emergência até 31 de janeiro, a fim de lidar com a pandemia através da adoção de decretos urgentes, e impôs a obrigação de uso da máscara em todos os momentos, incluindo ao ar livre.

Precisamos de elevar o nível de cuidados. Precisamos de maior coordenação com as regiões, e o comportamento das pessoas continua a ser decisivo", salientou hoje o ministro da Saúde, Roberto Speranza.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de um milhão e sessenta e nove mil mortos e perto de 37 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 2.067 pessoas dos 85.574 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Na Europa, o maior número de vítimas mortais regista-se no Reino Unido (42.679 mortos, mais de 575 mil casos), seguindo-se Itália (36.111 mortos, mais de 343 mil casos), Espanha (32.929 mortos, mais de 861 mil casos) e França (32.630 mortos, mais de 691 mil casos).

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