Milhares de pessoas participaram este sábado em protestos, em várias cidades alemãs, contra as restrições impostas pela pandemia, uma iniciativa que contou com o apoio da extrema-direita.

A maior concentração de pessoas ocorreu em Estugarda, no sul da Alemanha, que tem sido palco, nos últimos meses, de grandes marchas contra as medidas para controlar a covid-19.

Este sábado, cerca de 2.500 pessoas desfilaram pelo centro da cidade, capital do Estado de Baden-Württemberg, segundo estimativas da polícia, citadas pela agência de notícias espanhola EFE.

As autoridades locais organizaram um forte contingente policial para evitar confrontos e as forças policiais avisaram os participantes de que seriam obrigados a usar máscara e a manter as regras de higiene.

As forças policiais alertaram os participantes para a dissolução do desfile, caso as normas em vigor no país não fossem respeitadas.

Estes grupos de contestatários reúnem desde cidadãos insatisfeitos com as medidas em vigor até seguidores de teorias da conspiração e de extrema-direita.

Também em Berlim se realizou um protesto em frente às Portas de Brandemburgo, que reuniu centenas de pessoas, segundo a EFE.

Marchas semelhantes foram igualmente convocadas em Hamburgo (a norte do país), Colónia (oeste) e Kassel (centro), uma cidade que recentemente foi palco de violentas altercações entre polícia e manifestantes.

Presidente alemão afirma que o país vive uma "crise de confiança"

O Presidente da Alemanha afirma que o país está a passar por uma "crise de confiança" e pediu aos alemães que "se unissem", enquanto enfrentam uma segunda Páscoa com restrições, devido à pandemia, insatisfeitas com a resposta do Governo.

Num discurso que será transmitido este sábado, Frank-Walter Steinmeier admitiu que "houve erros" em relação aos testes, soluções digitais e vacinas.

Confiança numa democracia repousa sobre um entendimento muito frágil entre os cidadãos e o Estado: 'Estado, faça a sua parte, eu, cidadão, faço a minha", disse o Chefe de Estado alemão acrescentando: “Sei que vós, cidadãos, fazeis a vossa parte nesta crise histórica. [Os cidadãos] fizeram muito e ficaram sem muito'”.

A vossa expectativa para o Governo é: 'Organizem-se'", disse.

Steinmeier afirma que o país oscilou da autossatisfação com a redução do número de infeções no início da pandemia para o excessivo pessimismo atualmente.

O presidente pede aos alemães que "se unam” e deixem de lado a "indignação constante pelos outros ou pelas pessoas em cargos importantes".

Segundo o Presidente, as entregas de vacinas vão aumentar bastante nas próximas semanas. A Europa está a aumentar a sua capacidade de produção e os clínicos gerais vão juntar-se ao esforço de vacinação.

A verdade é que não somos campeões mundiais, mas também não somos um fracasso", afirma Steinmeier.

A Alemanha, juntamente com a União Europeia como um todo, está atrás dos Estados Unidos e do Reino Unido na velocidade do esforço de vacinação, entre uma obtenção mais lenta de vacinas e reclamações sobre burocracia e papelada excessiva.

Os números das sondagens para o partido conservador da chanceler Angela Merkel caíram, e o país enfrenta uma eleição nacional em 26 de setembro. Merkel não se recandidata.

Esta semana, registou-se na Alemanha uma ligeira queda na incidência semanal de contágio, com 131,4 casos por 100 mil habitantes, segundo dados do Instituto Robert Koch (RKI).

No total, foram identificados 18.129 casos de infeção e 120 mortes nas últimas 24 horas, contra 20.472 infeções e 157 óbitos de sábado passado.

Desde o início da pandemia, o país registou 2,87 milhões de doentes, dos quais 2,5 milhões recuperaram, tendo falecido 76.895 pessoas.

/ JGR