O Brasil saiu à rua contra Jair Bolsonaro. Os bloqueios de verbas anunciados pelo Ministério da Educação deram o mote para uma grande onda de contestação. Milhares de pessoas manifestaram-se, esta quarta-feira, em pelo menos 222 cidades do país.

Universidades e escolas também fecharam em sinal de protesto, depois de entidades sindicais terem convocado uma greve de um dia.

Imagens divulgadas pela imprensa brasileira, por agências internacionais e outras partilhadas nas redes sociais mostram milhares nas ruas, em iniciativas pacíficas, segurando cartazes e faixas com mensagens de protesto.

 

Este foi o primeiro grande protesto contra o Bolsonaro, que está há quatro e meses e meio no poder.

O presidente brasileiro de extrema-direita, que estava em Dallas, nos Estados Unidos, reagiu a estas acções, afirmando que os manifestantes eram “imbecis” e “idiotas úteis”.

Não sabem a fórmula da água. São uns idiotas úteis, uns imbecis, que estão a ser usados como massa de manobra de uma minoria espertalhona que compõe o núcleo de muitas universidades federais no Brasil”, declarou o presidente.

As palavras caíram mal e inflamaram ainda mais os protestos. O que obrigou, mais tarde, o porta-voz Otávio Rêgo Barros a sublinhar que as manifestações são “legítimas e democráticas, desde que não usem a violência, nem destruam o património público”.

Os protestos desta quarta-feira surgem depois de o Ministério da Educação brasileiro ter bloqueado, no final de abril, uma parte do orçamento de 63 universidades e de 38 institutos federais de ensino.

O governo de Bolsonaro disse que este corte de verbas foi aplicado sobre gastos não obrigatórios, como água luz, obras, equipamentos, investigações, e que despesas obrigatórias como o pagamento de salários e  de pensões não eram afetadas.