Centenas de manifestantes conseguiram invadir o parlamento de Hong Kong, esta segunda-feira, no dia em que se assinala o 22.º aniversário da transferência de soberania para a China. As autoridades usaram gás lacrimogéneo para dispersarem manifestantes.

De acordo com a agência Reuters,  manifestantes vandalizaram quadros, paredes e portas no interior do edifício. Muitos levaram vários objetos consigo como barras de aço e sinais de trânsito, com os quais conseguriam derrubar as barreiras de acesso e desmantelar uma grade de metal que protegia uma das janelas.

O governo de Hong Kong já reagiu, em comunicado, considerando a invasão um ato de "extrema violência", que afeta a segurança de toda a gente, segundo a agência AFP.

A polícia tinha divulgado um vídeo no qual prometeu responder com a "força apropriada" caso os manifestantes não abandonassem o parlamento, obrigando as autoridades a agir.

Imagens dos incidentes foram partilhadas nas redes sociais. Os utilizadores, entre os quais vários jornalistas, dão conta de que a invasão se deu, inicialmente, sem agentes da polícia por perto.

O advogado do movimento pró-democracia Fernando Cheung fala numa "armadilha". Cheung afirmou, em declarações ao jornalista da CNN James Griffiths, que a polícia podia ter afastado os manifestantes facilmente, mas que, pelo contrário, permitiu que isto acontecesse. 

Isto é uma armadilha e tenho pena que as pessoas tenham caído nela", vincou.

 

A invasão aconteceu depois de cinco horas marcadas por confrontos entre a polícia e os manifestantes, na entrada do Conselho Legislativo. As autoridades recorreram mesmo a gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes.

Polícia avança contra manifestantes

As autoridades chegaram, entretanto, ao lugar onde decorrem as manifestações. Cerca das 16:00 horas, meia-noite em Hong Kong, a polícia de intervenção entrou no parlamento para afastar o movimento reivindicativo.

De acordo com a BBC, vários manifestantes foram vistos a fugir à medida que os agentes avançavam.

A polícia fez, entretanto, um cordão humano à volta do edifício.

A antiga colónia britânica tem sido palco de manifestações de dimensão histórica ao longo das últimas três semanas. Os manifestantes exigem a retirada de uma proposta de lei que permitiria extradições para a China continental.

Esta segunda-feira, estima-se que cerca de 550.000 pessoas tenham saído à rua em protesto.

Os manifestantes dizem que o governo de Hong Kong não tem respondido às suas exigências de retirada completa de legislação de extradição contenciosa e de demissão da chefe do governo, Carrie Lam.

Esta segunda-feira, Lam tinha prometido que faria mais esforços para atender às vozes dos jovens que nas últimas quatro semanas se têm manifestado a favor de mais democracia e direitos cívicos.

Percebi que, enquanto dirigente política, tenho de me recordar da necessidade de entender os sentimentos públicos, com rigor”, disse Carrie Lam aos jornalistas, enquanto os manifestantes continuavam a exigir a sua renúncia.

A 1 de julho de 1997, Hong Kong, há 156 anos sob domínio britânico, regressava à soberania chinesa. Tal como aconteceu em Macau, dois anos depois, a transferência de soberania decorreu sob o princípio 'um país, dois sistemas', precisamente o que os opositores às alterações da lei garantem estar agora em causa.