O governo grego quer construir uma fronteira marítima flutuante para impedir a entrada de migrantes no país, através do mar Egeu.

A medida foi anunciada esta quinta-feira, na sequência do "compromisso de adotar uma postura mais rígida" em relação aos migrantes sem documentos que chegam à Grécia, avançou o The Guardian.

A barreira, de 2,7 quilómetros de extensão, será erguida junto à ilha de Lesbos, local onde um milhão de refugiados da Síria desembarcou rumo ao continente europeu. Os postes vão ser erguidos a 50 metros acima do nível da água e equipados com luzes intermitentes para demarcar as fronteiras marítimas da Grécia.

"Em Evros, as barreiras naturais tiveram bons resultados a conter os fluxos de migrantes", admitiu o ministro da Defesa grego, Nikos Panagiotopoulos, à rádio local Skai, acrescentando que o governo acredita que "um resultado semelhante pode ser obtido com as barreiras flutuantes. Estamos a tentar encontrar soluções para reduzir os fluxos”.

Os migrantes tentam entrar na Europa, numa travessia muitas das vezes perigosa, entre a costa da Turquia e as ilhas gregas.

A Grécia tem vindo a receber mais migrantes e refugiados do que qualquer outra parte da Europa. Só em 2019, a Polícia Marítima, em missão na Grécia, resgatou 2.251 migrantes do mar Egeu.

A situação nas ilhas gregas tornou-se mais aguda devido a um aumento das chegadas de refugiados a partir de julho.

No final de novembro, os registos apontavam a existência de 1.746 crianças desacompanhadas alojadas nos centros de acolhimento das ilhas de Lesbos, Samos, Chios, Kos e Leros. 

Rafaela Laja