A presidente da Assembleia geral da ONU, María Fernanda Espinosa, considerou que a única opção para pôr termo à crise na Venezuela consiste numa negociação, devendo ser apoiadas as propostas de diálogo provenientes de diversos países.

Julgo que a única saída possível é uma saída dialogada, uma saída política (…). Creio que isso é bastante claro”, disse à agência noticiosa Efe a ex-chefe da diplomacia equatoriana.

Espinosa defendeu que deve ser dada prioridade a “toda a iniciativa que favoreça uma saída política, negociada e pacífica”, e mostrou-se favorável aos “bons contributos” que o secretário-geral, António Guterres, pode fornecer caso seja solicitado pelas partes.

Julgo que é assim que a ONU deve atuar em situações como esta”, assinalou a diplomata, ao recordar que a Carta fundadora da organização estabelece princípios como o diálogo, a solução pacífica dos conflitos e a não intervenção.

Nesse sentido, referiu que segue com muito interesse as posições de vários países e grupos de nações que se referem à necessidade de um diálogo e disse que se mantém em contacto permanente com Guterres.

María Fernanda Espinosa sublinhou ainda a sua preocupação pela “crise económica” que atinge a Venezuela “pela falta de acesso aos serviços e bens essenciais para a população venezuelana”, recordando que é o povo “quem sofre com estes conflitos”.

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou Presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Guaidó, 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.

Nicolás Maduro, 56 anos, no poder desde 2013, recusou o desafio de Guaidó e denunciou a iniciativa do presidente do parlamento como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos.

A maioria dos países da União Europeia, entre os quais Portugal, reconheceram Guaidó como Presidente interino encarregado de organizar eleições livres e transparentes.

A repressão dos protestos antigovernamentais desde 23 de janeiro provocou já 40 mortos, de acordo com várias organizações não-governamentais.

Esta crise política soma-se a uma grave crise económica e social que levou 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados das Nações Unidas.

Na Venezuela residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes.