O governo alemão acusou esta quarta-feira a Bielorrússia de usar “métodos do oeste selvagem” ao deter a líder do movimento de protesto contra o presidente, Maria Kolesnikova, e exigiu que Minsk dê “informações imediatas” sobre a sua situação.

É “absolutamente inaceitável” recorrer a “sistemas clandestinos” para lidar com os representantes da oposição, como aconteceu com Kolesnikova, disse a porta-voz executiva da chanceler Angela Merkel, Martina Fietz.

Estamos chocados com a informação que nos chega de Minsk”, acrescentou a responsável, instando as autoridades bielorrussas a esclarecerem “de imediato” a situação de Kolesnikova, que foi sequestrada e obrigada a sair do país.

O que aconteceu à representante da oposição mostra que Minsk “não entendeu nada” dos pedidos internacionais para pôr fim às “ações hostis” contra a oposição, referiu.

A porta-voz do governo alemão pediu ainda às autoridades bielorrussas que “abram um diálogo com o depositário da soberania nacional, o povo”.

Kolsnikova foi detida na terça-feira na fronteira com a Ucrânia pelas autoridades bielorrussas, ao que se seguiu uma série de relatos contraditórios sobre a sua situação.

O Comité de Fronteiras da Bielorrússia acabou, no entanto, por confirmar a detenção da líder da oposição, que foi sequestrada na segunda-feira no centro de Minsk por vários homens mascarados que a colocaram numa carrinha e a levaram para um destino desconhecido.

A líder da oposição bielorrussa no exílio, Svetlana Tikhanovskaya, exigiu na terça-feira a libertação imediata da sua colaboradora, dos restantes membros do Conselho de Coordenação da oposição e dos presos políticos.

Svetlana Tikhanovskaya exilou-se na Lituânia a seguir às eleições presidenciais de 09 de agosto, consideradas pela União Europeia e pelos Estados Unidos como fraudulentas, na sequência da crescente repressão contra a oposição.

A Lituânia, assim como a Estónia e a Letónia, incluíram o Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, na sua lista de pessoas que não são bem-vindas (‘persona non grata’).

Os três países bálticos apoiam o movimento de oposição, tal como a Polónia, onde Tikhanovskaya se encontrou hoje com o primeiro-ministro, Mateusz Morawiecki.

A Bielorrússia tem sido palco de várias manifestações desde 09 de agosto, quando Alexander Lukashenko conquistou um sexto mandato presidencial.

Nos primeiros dias de protestos, a polícia deteve cerca de 7.000 pessoas e reprimiu centenas de forma musculada, suscitando protestos internacionais e ameaça de sanções.

Os Estados Unidos, a União Europeia e diversos países vizinhos da Bielorrússia rejeitaram a recente vitória eleitoral de Lukashenko e condenaram a repressão policial, exortando Minsk a estabelecer um diálogo com a oposição.

/ AG