Marlen Ochoa-Lopez, de 19 anos, estava grávida de nove meses quando desapareceu, em abril, em Chicago. O seu corpo foi encontrado esta terça-feira, cadáver, com sinais de estrangulamento. O bebé foi-lhe retirado do útero à força. A polícia de Chicago divulgou, esta quinta-feira, em conferência de imprensa, os pormenores desta história macabra e explicou como resolveu o caso.

A jovem grávida, que já era mãe de uma criança de três anos, desapareceu depois de uma troca de mensagens num grupo de mães do Facebook. Marlen, que estudava no liceu, estava desempregada e, por isso, disposta a aceitar ou a trocar produtos de bebé.

Nesse grupo de mães, uma mulher afirmou que tinha roupas de bebé e outros artigos para oferecer e pediu-lhe para entrar em contacto consigo por mensagem privada.

Marlen foi vista pela última vez no dia 23 de abril, a deixar o seu liceu. Durante semanas, a família e a polícia não faziam ideia do que lhe tinha acontecido. Fizeram apelos, organizaram buscas, mas sem sucesso.

Sabe-se agora que, no mesmo dia em que a jovem desapareceu, os bombeiros de Chicago receberam uma chamada de emergência de uma mulher que alegou que o seu bebé, recém-nascido, precisava de ajuda.

Quando os bombeiros chegaram ao local o bebé estava azul. O recém-nascido foi levado para o hospital, juntamente com a mulher que dizia ser sua mãe, onde permanece internado em estado crítico.

As autoridades não associaram de imediato esta chamada de emergência ao desaparecimento de Marlen.

No dia 7 de maio, porém, tudo mudou na investigação deste caso: uma amiga de Marlen revelou aos detetives a troca de mensagens no Facebook entre a jovem e uma mulher chamada Clarisa Figueroa.

A polícia foi a casa de Clarisa e falou com a filha, de 24 anos, Desiree. Primeiro, Desiree afirmou aos detetives que a mãe estava no hospital por causa de problemas nas pernas, mas depois contou que afinal, a mãe, tinha dado à luz há pouco tempo. Uma história mal contada, que, desde logo, intrigou os investigadores.

Ela contou uma história muito estranha. Os agentes sabiam para onde aquilo estava a caminhar”, explicou Brendan Deenihan, chefe dos detetives envolvidos neste caso, em conferência de imprensa, esta quinta-feira.

Entretanto, os agentes encontraram o carro de Marlen perto da residência da família Figueroa. E paralelamente, descobriram que Clarisa tinha começado uma angariação de fundos para o funeral do seu bebé que dizia estar a morrer.

Interrogada pela polícia no hospital, Clarisa afirmou que se tinha encontrado com a grávida sim, mas antes do dia em que esta tinha desaparecido. Uma versão que não dissipou as suspeitas da polícia, pelo contrário.

Os detetives recolheram então amostras de ADN de Clarisa, do bebé que dizia ser seu, e de Yiovanni Lopez, o marido de Marlen. E foi através destas amostras de material genético que a polícia concluiu que o bebé era, afinal, filho de Marlen e de Yiovanni.

Esta terça-feira, já com um mandado, a polícia fez buscas na casa da família Figueroa e encontrou produtos de limpeza e sangue em algumas divisões da casa.

O corpo de Marlen foi descoberto num caixote do lixo, atrás da casa, com sinais de estrangulamento.

Desiree já confessou aos agentes que ajudou a mãe a estrangular a jovem grávida.

As duas mulheres foram acusadas de um homicídio em primeiro grau e de lesões corporais agravadas numa criança com menos de 13 anos. O namorado de Clarisa, Piotr Bobak, também foi acusado de dois crimes: o de esconder a morte de uma pessoa e o de esconder uma morte por homicídio.

As autoridades acreditam que Clarisa, de 46 anos, queria voltar a educar uma criança. Um filho, na casa dos 20 anos, tinha morrido há dois anos, de causas naturais. 

O pai de Marlen, Arnulgo Ochoa, afirmou, em declarações aos jornalistas, que a família quer justiça para a jovem. O marido, Yiovanni, ainda espera que um “milagre” salve o bebé.

Pedimos a Deus que nos dê a nossa criança porque é uma bênção que a nossa mulher nos deixou”, disse Yiovanni, emocionado.