Cerca de 300 migrantes subsaarianos tentaram entrar ilegalmente em Ceuta esta quinta-feira de manhã, mas foram impedidos de o fazer por forças marroquinas destacadas para a zona, disseram fontes policiais à agência de notícias espanhola EFE.

Fontes da Guardia Civil espanhola citadas pela EFE disseram que os migrantes se juntaram, pelas 02:30 locais (03:30 em Lisboa), nas proximidades da cidade marroquina de Beliones, perto da fronteira norte de Benzú, para terem acesso a Ceuta.

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Às 05:30, entre 150 e 200 tentaram dirigir-se para Ceuta, atirando pedras aos agentes destacados na zona, mas nenhum conseguiu entrar na cidade autónoma espanhola do norte de África.

Os migrantes foram contidos pelas forças marroquinas, apesar de se terem dividido em vários grupos com a intenção de alcançar a vedação que impede a passagem para Ceuta.

A Guardia Civil teve de destacar unidades ao longo de todo o perímetro da fronteira numa operação preventiva, com o apoio de um helicóptero baseado em Ceuta.

Um migrante marroquino conseguiu saltar para a água para tentar nadar até Ceuta, mas foi detido pela Guardia Civil e entregue de imediato às autoridades do país vizinho.

A Guardia Civil tinha anteriormente dado conta de uma concentração de africanos subsaarianos nas montanhas marroquinas mais próximas de Ceuta nos últimos dias.

Localizadas no norte de Marrocos, as cidades autónomas espanholas de Ceuta e Melilla são as únicas fronteiras terrestres da União Europeia com África e atraem muitos migrantes que procuram entrar na Europa para escapar à pobreza.

As tentativas de atravessar as vedações de vários metros de altura destes dois enclaves são bastante frequentes e por vezes têm por consequência a morte de alguns dos migrantes.

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Em meados de maio, mais de 10.000 migrantes, na sua maioria marroquinos, aproveitaram uma flexibilização dos controlos do lado marroquino para entrar no enclave de Ceuta, desta vez por mar ou pelo dique que marca a fronteira.

Esta excecional vaga migratória teve lugar num contexto de uma crise diplomática entre Madrid e Rabat, causada pela receção em Espanha, para tratamento contra a covid-19, do líder do movimento de independência saarauí da Frente Polisário, Brahim Ghali, um inimigo declarado de Marrocos.

Agência Lusa / NM