Um surto entre martas em cativeiro de uma forma mutante da covid-19 com potencial para ser resistente a futuras vacinas levou o governo dinamarquês a implementar medidas de restrição mais duras em zonas do país.

As medidas foram anunciadas após a descoberta de uma nova estirpe da doença em animais criados para produção de peles nas regiões norte do país.

Só na região de Jutland, foram diagnosticados doze casos de infeção com esta mutação do vírus, o que levou a que vários municípios dinamarqueses tenham sido obrigados a impor restrições à circulação entre regiões e a encerrar restaurantes e bares.

As autoridades de saúde do país temem que a mutação possa ser resistente a uma vacina. 

Kåre Mølbak, chefe do State Serum Institute (SSI), a autoridade nacional para o controlo de doenças infecciosas, disse que esta nova estirpe tem mutações nas proteínas que envolvem o vírus e que são responsáveis pela infeção das células.

De acordo com Mølbak, estas mutações representam uma ameaça potencial à eficácia das vacinas contra a covid-19, que atuam desativando as proteínas do vírus.

 Há o risco de que as vacinas que visam a proteína não forneçam proteção ideal contra os novos vírus que ocorrem nas martas”, explica um relatório publicado pelo instituto dinamarquês.

O ministro da saúde do país, Magnus Heunicke, disse que a investigação laboratorial "mostrou que as mutações podem afetar os candidatos atuais para uma vacina contra a Covid-19", sublinhando que “é uma ameaça ao desenvolvimento de vacinas contra o coronavírus. Por isso, devemos conduzir uma campanha nacional. ”

A Organização Mundial de Saúde já avançou que foi informada pela Dinamarca sobre uma série de pessoas infectadas com a covid-19 através de martas, “com algumas alterações genéticas no vírus”.

A preocupação com variantes do novo coronavírus e o papel do comércio da pele derivada das martas é partilhada pela comunidade científica. Um especialista em vacinação alerta que a mutação pode originar uma nova onda de contágio no país.

O pior cenário é a ocorrência de uma nova pandemia na Dinamarca. Há o risco de que a mutação seja tão diferente que teríamos que colocar coisas novas na vacina e, portanto,levaria o mundo inteiro ao início da pandemia ”, disse o professor Kåre Mølbak, especialista em vacinas e diretor do SSI da Dinamarca.

Na quarta-feira, o governo dinamarquês anunciou que vai abater todas as martas criadas naquele país, que serão entre 15 milhões a 17 milhões. 

A Dinamarca segue o exemplo dos Países Baixos que, em agosto passado, decretaram o fim da prática de criar martas para a indústria de peles naquele país, após o registo de vários focos de infeção pelo novo coronavírus em explorações dedicadas à criação destes pequenos mamíferos.

A criação de martas, ou visons, é a terceira maior fonte de exportação do país e é responsável pela produção de 40% das peles do mundo.