Chega às bancas no próximo dia 14 de julho o livro de Mary Trump, sobrinha do presidente dos Estados Unidos, que promete revelações surpreendentes sobre Donald Trump. A publicação do livro, prevista inicialmente para 28 de julho, foi antecipada em duas semanas depois de ter sido autorizada por um juiz: Robert Trump, tio da autora e irmão de Donald, interpôs uma açao num tribunal de Nova Iorque para impedir a publicação da obra alegando que Mary tinha violado um acordo de confidencialidade, mas a editora Simon & Schuster acabou por ser autorizada a imprimir e distribuir o livro de 240 páginas.

A imprensa teve acesso a "Too Much and Never Enough: How My Family Created the World’s Most Dangerous Man" - Demasiado e Nunca Suficiente: Como a Minha Família Criou o Homem Mais Perigoso do Mundo - título do livro de Mary, em que a autora, psicóloga de profissão, oferece um retrato do tio como um homem narcisista que constitui um perigo imediato para os EUA. Mary Trump escreve mesmo que a reeleição de Trump pode significar o fim da democracia norte-americana.

Mary Trump é filha de Fred Jr., o irmão mais velho de Donald Trump, que morreu em 1981, tinha a filha 16 anos e ele 42. Sonhava ser piloto, mas acabou por ser vítima do alcoolismo. Desabou depois de anos a ser pressionado pelo pai e pelo irmão Donald a assumir um papel mais ativo nos negócios da família. 

A sobrinha de Trump, que há anos se afastou do núcleo familiar do presidente, garante que o tio pagou a um amigo para que fizesse por ele os exames de admissão à universidade, preocupado por não ter média suficiente para entrar na prestigiada Wharton School, da Universidade da Pennsylvania. Segundo uma porta-voz da Casa Branca, a acusação é "completamente falsa". 

Mary Trump escreve ainda que era a irmã mais  velha, Maryanne Trump, hoje juíza federal reformada, quem fazia os trabalhos de casa de Donald. Sobre a tia, Mary escreve que Maryanne nunca levou a sério a candidatura de Trump à presidência.

Ele é um palhaço", terá dito a juíza. "Nunca vai acontecer". 

A sobrinha de Trump admite ainda que a conduta do tio é resultado também das pressões que sofria por parte do pai, o empresário Fred Trump. "Mentir era defensivo. Não apenas uma forma de contornar a desaprovação do pai ou evitar castigos, mas uma forma de sobrevivência", escreve a psicóloga. 

Tendo sido abandonado pela mãe durante pelo menos um ano e com o pai a falhar para lhe suprir as necessidades ou fazê-lo sentir-se seguro ou amado, Donald sofreu privações que o marcaram para a vida e adquiriu traços de personalidade, incluindo demonstrações de narcisismo, bullying e grandiosidade", explica Mary.

Mary revela ainda episódios da altura em que convivia com Donald Trump, recordando, por exemplo, que o tio lhe elogiou a forma e o peito quando a viu em fato de banho no resort de Mar-a-Lago, na Florida, ainda que a mulher dele na altura, Marla Maples, estivesse ao lado. E que, para o presidente, todas as mulheres que recusaram encontrar-se com ele passavam a ser gordas e feias, nomeadamente a cantora Madonna ou a patinadora artística e ex-atleta olímpica Katarina Witt. 

Eu tinha 29 anos e não ficava embaraçada com facilidade. Mas o meu rosto ficou vermelho e de repente fiquei constrangida. Puxei a toalha para os ombros", conta Mary, a propósito do episódio em Mar-a-Lago, o conhecido resort do presidente. 

A sobrinha de Trump revela ainda que deu informação ao New York Times sobre as finanças da família, tendo desviado 19 caixas da sociedade de advogados Farrell Fritz com informação financeira que entregou aos jornalistas. A investigação sobre as finanças do presidente deu um prémio Pulitzer aos repórteres David Barstow, Susanne Craig e Russ Buettner.

Bárbara Cruz