As restrições impostas pelo novo coronavírus no estado norte-americano da Flórida fizeram com que Mary Daniel não pudesse ver o marido, diagnosticado com Alzheimer, durante 114 dias. O passar dos dias sem o amor de uma vida foi insuportável para a mulher que viu o cargo de ajudante de cozinha no centro de cuidados do marido como uma forma de o poder acompanhar de mais perto.

O marido de Mary, Steve, foi diagnosticado com a doença neurodegenerativa crónica há sete anos e teve de ser internado no centro de cuidados em julho do ano passado.

Tudo estava a correr bem. Ele ganhava forças com as pessoas que o rodeavam. Tudo mudou em março, obviamente”, contou Mary à CBS.

Antes da pandemia restringir as visitas aos utentes, Mary visitou Steve todas as noites e tomava conta dele até adormecer.

Como não sabia quanto tempo o confinamento iria ditar o isolamento de Steve, Mary decidiu ser criativa.

Primeiro, enviei um e-mail à direção do centro de cuidados e perguntei como poderia ser útil lá dentro. Posso ser voluntária? Posso levar um cão de terapia? Posso trabalhar aí?”, contou.

A gestão do centro também não sabia por quanto tempo as restrições iriam durar e, por isso, não aceitaram logo a oferta de Mary. Porém, dezasseis semanas depois e com a ansiedade a apertar, a mulher começou a escrever para as autoridades locais a exigir o fim das restrições nas visitas aos utentes.

Sem sorte, Mary começou a perder a esperança. No entanto, há duas semanas a direção do centro de cuidados ligou-lhe e disse que tinha disponível um cargo part-time para ajudar na cozinha. 

Estava disposta a fazer tudo”, confessou.

Ajudar na cozinha tem permitido que Mary veja regularmente o marido, algo pelo qual está extremamente grata.

Estou tão grata. Fui uma sortuda, mas quero estar com ele todos os dias”, afirmou Mary, sublinhando que também lançou uma página no Facebook para alertar sobre os direitos dos pacientes com Alzheimer durante a pandemia.