Matteo Salvini, o ministro italiano do Interior que impulsionou a entrada em vigor da política de portos fechados em Itália, não demorou a comentar a libertação da capitã alemã Carola Rackete, que atracou sem autorização o navio 'Sea Watch 3' no porto de Lampedusa.

Num vídeo gravado em direto no Facebook, Salvini declarou-se "sem palavras" perante a decisão da juíza Alessandra Vella que libertou a alemã, recusando o pedido dos procuradores italianos para a manter em prisão domiciliária. "O que é preciso fazer para ir para a prisão em Itália? Envergonho-me de quem permite que a este país chegue o primeiro delinquente do estrangeiro e em nome das suas ideias políticas desobedeça às leis e coloque em risco militares a trabalhar". 

 

Carola Rackete tinha sido colocada em prisão domiciliária em Lampedusa e estava também acusada de resistência ou violência contra um navio de guerra estrangeiro, bem como de tentativa de abalroamento, por ter chocado com uma patrulha de uma unidade policial militarizada (Guardia di Finanza) durante as manobras no porto de Lampedusa.

Quem atenta cotra a vida de militares em serviço vai para a prisão", repete ao longo do discurso Salvini, que dirige duras críticas à juíza que libertou a alemã, que descreve como uma jovem "talvez aborrecida" que é, no fundo, "cúmplice dos traficantes de seres humanos".

"Se calhar a senhora juíza bebeu um copo de vinho com a senhora que se diz que é rica, branca, alemã, talvez um pouco aborrecida e portanto legitimada a marimbar-se para as leis de um Estado".

Sublinhando que é necessária uma reforma da justiça italiana, Salvini lamenta ainda que Carola Rackete não tenha sido expulsa do país e diz que a decisão da juíza prejudica a Itália, por dar a todos uma sensação de impunidade. Chega a comparar a atitude da capitã, a quem foi pedido três vezes que parasse antes de atracar no porto de Lampedusa, à de quem não para numa operação Stop, atentado contra a segurança dos agentes da polícia. "Senhora juíza, se quer fazer política tire a toga e candidate-se", frisa. 
 

Bárbara Cruz