Matteo Salvini, líder do partido italiano Liga Norte, de extrema-esquerda, decidiu renunciar à imunidade parlamentar para que possa ser processado pela decisão de negar o desembarque de 131 migrantes em Itália.

O caso remonta ao ano passado. Salvini cumpria funções como ministro do Interior de Itália e lançou uma campanha anti-imigração. Em julho, impediu o desembarque de um navio com 131 migrantes na costa italiana.

No domingo, o ex-ministro pediu aos deputados do seu partido para que votassem a favor do seu julgamento, de modo a que fossem esclarecidas as dúvidas do povo em relação às suas políticas.

Votem para me julgar e vamos esclarecer as coisas” disse.

Segundo a imprensa italiana, Salvini pretendia colocar o tema da imigração e dos refugiados de novo na agenda política e na disussão pública, em vésperas de eleições regionais.

Os deputados dos partidos que compõem o governo - Partido Democrático e Movimento 5 Estrelas - ausentaram-se do plenário em protesto, considerando que a votação só devia acontecer precisamente depois das eleições. Os partidos Força Italia e Hermanos de Italia, aliados de Salvini, votaram contra o julgamento por uma questão de coerência - por terem defendido Salvini quando este impediu o desembarque. Mas os deputados da Liga Norte fizeram o que o seu líder lhes pediu e votaram a favor. O resultado foi um empate, o que, segundo os regulamentos, obriga a uma nova votação parlamentar para confirmar o levantamento da imunidade - o que deverá acontecer em fevereiro.

De qualquer das formas, os analistas entendem que Salvini conseguiu o que queria: mesmo que não tenha havido uma decisão definitiva, o tema das migrações e dos refugiados voltou a gerar debate.

No domingo, haverá eleições na região de Emilia-Romagna e tudo aponta para uma corrida eleitoral muito renhida, na qual a Liga Norte poderá obter um resultado histórico.