A polícia espanhola resgatou mais de 250 cães cujas cordas vocais tinham sido cortadas pelos seus criadores, que integravam uma rede de tráfico ilegal de cães de raça. 

As autoridades invadiram, nos arredores de Madrid, duas explorações sem qualquer tipo de condições de higiene e habitabilidade com centenas de pequenas jaulas com 270 Chihuahuas e Lulus da Pomerânia amontoados. Como é possível ver no vídeo.

De acordo com o comunicado da Policía Nacional, muitas das cordas vocais destes animais tinham sido cortadas numa tentativa de abafar o barulho e, assim, manter em segredo a operação de tráfico.

Alguns cães tinham um ladrar muito atenuado, portanto, após a realização de testes, verificou-se que tinham sido submetidos a uma cordectomia, possivelmente, para que eles não ladrassem, nem alertassem os vizinhos sobre a existência de uma exploração de criação ilegal", lê-se no comunicado. 

Construídas nos sótãos de duas casas nas cidades Meco e Arganda del Rey, estas explorações tinham as jaulas dividas em três áreas: uma de criação, outra de venda e por um fim uma de animais prontos a procriar. Neste cenário de horror, foram ainda encontrados dois cães mortos, congelados e embrulhados em jornal.

No âmbito desta operação levada a cabo pela Policía Nacional, foram detidas cinco pessoas acusadas de fazerem parte de um esquema de tráfico a nível europeu. Destes cinco suspeitos, dois eram médicos veterinários e tinham como função credibilizar a rede ilegal. Colocavam os microchips nos animais , forneciam certificados carimbados e medicação. Havia ainda um engenheiro informático responsável pela estratégia comercial, através de campanhas de marketing e publicidade nas redes sociais.

Estima-se que este esquema, que durava há mais de 10 anos, tenha rendido cerca de dois milhões de euros, uma vez que o valor por cada cão variava entre os 1300 e os 3000 euros.

Ainda assim, os suspeitos foram libertados sob fiança enquanto a investigação, que começou no início do ano passado, prossegue. Quanto aos 270 cães, encontram-se ao abrigo de várias instituições até ser conhecida a decisão judicial.