O movimento islâmico palestiniano Hamas assegurou hoje que não desviará nem “um cêntimo” da ajuda internacional à reconstrução da Faixa de Gaza, prometendo um processo “transparente e imparcial”, após uma guerra com Israel ter devastado o enclave.

Na sexta-feira entrou em vigor um cessar-fogo entre o Hamas, no poder em Gaza, e Israel, após 11 dias de um conflito que matou mais de 250 pessoas, a grande maioria palestinianos.

Os esforços diplomáticos intensificam-se para consolidar a trégua frágil e a ajuda à reconstrução da Faixa de Gaza, onde numerosos edifícios foram destruídos e muitas infraestruturas foram danificadas pelos bombardeamentos israelitas.

Saudamos todo o esforço internacional ou árabe para reconstruir a Faixa de Gaza”, declarou hoje o chefe do gabinete político do movimento islâmico em Gaza, Yahya Sinwar, numa conferência de imprensa.

 

Vamos garantir que o processo seja transparente e imparcial. (…) Afirmo o nosso compromisso de não tirar nem um cêntimo destinado à reconstrução e às operações humanitárias, nunca retirámos um cêntimo no passado”, afirmou.

Na terça-feira em Jerusalém, o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, disse querer evitar que o Hamas – considerado uma organização terrorista pelos Estados Unidos, Israel e a União Europeia – “beneficie” da ajuda à reconstrução da Faixa de Gaza.

Israel, que impõe um bloqueio terrestre, marítimo e aéreo ao enclave palestiniano há quase 15 anos, acusa o grupo armado de ter desviado ajuda internacional para fins militares e disse querer um “mecanismo” internacional para o contornar no envio de ajuda.

Blinken confirmou num comunicado que os Estados Unidos estão “a fornecer” uma ajuda de “mais de 360 milhões de dólares (293 milhões de euros)” aos palestinianos, incluindo 38 milhões (31 milhões de euros) de ajuda humanitária.

O último conflito entre o Hamas e Israel, a quarta guerra desde 2008, iniciou-se no passado dia 10 com o lançamento de 'rockets' a partir da Faixa de Gaza contra território israelita em solidariedade com centenas de palestinianos feridos em vários dias de confrontos com a polícia na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém Oriental.

Na origem dos confrontos estava também a ameaça de expulsão de famílias palestinianas em benefício de colonos israelitas de um bairro de Jerusalém Ocidental, a zona palestiniana da cidade, ocupada e anexada por Israel, mas que os palestinianos querem ver como capital de um futuro Estado.

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