A China diagnosticou 49 novos casos da covid-19, nas últimas 24 horas, entre os quais 36 em Pequim, após um surto ter sido detetado no principal mercado abastecedor da capital.

A Comissão de Saúde de Pequim indicou que, até domingo, 79 pessoas estavam a receber tratamento médico na cidade, e que sete casos assintomáticos permanecem sob observação, depois de um surto do vírus ter sido detetado no mercado de Xinfadi.

O país registou ainda dez casos oriundos do exterior distribuídos pelas províncias de Sichuan, Fujian e Shanxi, e pelos municípios de Chongqing e Xangai.

As outras três infeções a nível local ocorreram na província de Hebei, no norte de Pequim.

A Comissão de Saúde da China não relatou novas mortes em todo o país.

O número de casos ativos fixou-se em 117, entre os quais dois em estado grave.

Governo de Pequim afasta vários quadros

O governo municipal de Pequim despediu um chefe de distrito e dois quadros locais por não serem capazes de impedir o novo surto de covid-19, no principal mercado abastecedor da cidade, noticiou a imprensa local.

Segundo o jornal Beijing Daily, o vice-diretor do distrito de Fengtai, Zhou Yuqing, foi afastado por "não ter feito a sua parte no trabalho de prevenção e controlo da covid-19".

O secretário do Partido Comunista da China (PCC) em Huaxiang, que pertence a Fengtai, Wang Hua, e o responsável pela gestão do mercado de Xinfadi, onde surgiu o novo surto, Zhang Yuelin, também foram afastados.

A área de Huaxiang, no distrito de Fengtai, elevou o nível de alerta de saúde para "alto risco", tornando-o o único local na China com este grau de emergência atualmente.

Seis outras áreas da capital aumentaram o nível de alerta para médio.

O surto na capital ocorreu uma semana depois de Pequim ter reduzido o nível de emergência sanitária de dois para três.

O mercado de Xinfadi possui 1.500 funcionários e mais de quatro mil bancas.

Todos os funcionários e aqueles que tiveram contacto próximo com o mercado devem realizar o teste num dos 98 centros designados em Pequim, que juntos podem realizar mais de 90 mil testes por dia.

A cidade intensificou a inspeção nos mercados de produtos frescos, carne de porco congelada, carne bovina, cordeiro e aves e outros negócios, incluindo supermercados e restaurantes, para garantir que os produtos não estão contaminados.

No domingo, o vice-primeiro-ministro chinês, Sun Chunlan, pediu que sejam tomadas "medidas decisivas" para impedir a propagação deste novo surto, bem como "rigorosas investigações epidemiológicas" e um "rastreamento abrangente da fonte", para identificar e controlar a origem do novo surto.

Pequim volta a repor medidas de prevenção

Pequim voltou hoje a repor medidas de prevenção de contágio pelo novo coronavírus, após diagnosticar dezenas de novos casos, nos últimos dias, confirmando a severidade de uma segunda vaga de infeções na capital chinesa.

Centenas de pessoas alinharam-se em hospitais e outras instalações ao redor da capital, enquanto as autoridades executavam milhares de testes em trabalhadores e clientes do principal mercado abastecedor de Pequim.

As autoridades confirmaram 79 casos nos últimos quatro dias, no maior surto desde que a China interrompeu a disseminação da epidemia há mais de dois meses.

O novo surto parece ter começado no mercado de Xinfadi, o maior de produtos frescos em Pequim, levando a inspeções em mercados de carnes e mariscos na cidade e em outros pontos da China.

"Devemos continuar a tomar medidas decisivas para nos defendermos de casos externos e ressurgimentos, e mobilizar todas as unidades", disse Xu Hejian, diretor do Gabinete de informações do governo de Pequim.

Numa altura em que outros países estão a reduzir as restrições, o desenvolvimento mostra a importância de estar pronto para lidar com inevitáveis novos surtos, suscetíveis de surgirem a qualquer momento, em locais inesperados, mesmo semanas após a epidemia ter aparentemente sido erradicada.

O governo autoritário e o rígido controlo social na China permitem rastrear os movimentos dos residentes, através do uso de aplicações e de uma rede comités de bairro, dominados por membros do Partido Comunista Chinês.

A entrada em muitos edifícios de escritórios, lojas e restaurantes depende do uso de uma aplicação que faz o rastreio das deslocações do usuário. Caso a pessoa tenha estado em áreas onde o vírus está ainda ativo, fica proibida de entrar.

Pequim fechou o mercado de Xinfadi e exige que todos os que estiveram lá cumpram um período de duas semanas de quarentena. Bairros próximos ao mercado foram bloqueados e mais de 76.000 pessoas testadas.

Em toda a cidade, Pequim suspendeu hoje a retomada das aulas nas escolas primárias e reverteu o relaxamento de algumas medidas de isolamento social.

Os inspetores encontraram 40 amostras do vírus no mercado, incluindo uma tábua de cortar salmão importado. Isso levou algumas redes de supermercados a tirar o salmão das prateleiras, no fim de semana, e a inspeções em mercados, lojas e restaurantes.

As autoridades de saúde de Pequim disseram que o sequenciamento genético mostrou que o vírus que causou o novo surto teve origem na Europa, embora não seja claro se este se espalhou pelo movimento de pessoas ou pelo transporte de alimentos.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 431 mil mortos e infetou mais de 7,8 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

. / AM - notícia atualizada às 12:48