Numa altura em que a própria OMS admite que o Sars-CoV-2 terá "chegado aos humanos" através do contacto direto com uma espécie animal hospedeira, alguns especialistas lançam o alerta para a possibilidade de surgir uma nova pandemia, a nascer nos mesmos moldes.

Segundo o Predict, um projeto de cooperação internacional que visa estudar doenças infecciosas, financiado pelo governo dos Estados Unidos, 75% das doenças emergentes que afetam os humanos têm origem em animais. 

Os cientistas desse projeto identificaram, até 2020, 1,2 mil doenças de origem animal, sendo que estimam que possam existir, aproximadamente, outras 700 mil que ainda nem conhecemos. 

Neste contexto, há um animal que tem despertado curiosidade e medo nos cientistas, o camelo

Isto, porque porque os camelos são portadores de um coronavírus, com o nome de código Mers, que até agora provou ser, pelo menos, dez vezes mais mortal que a covid-19.

Por todo o nordeste de África, Ásia e Médio Oriente é comum encontrarem-se grandes criações destes mamíferos, sendo que há povos inteiros a depender dos camelos, seja para obter leite, carne ou até casamentos e riqueza.

Qualquer pessoa que esteja em contacto com um camelo infetado, pode ser contagiado com este vírus", afirmou a investigadora Millicent Minayo, da Universidade de Washington, que tem vindo a colher amostras de camelos e dos seus pastores, em Marsabit, no Quénia. 

No estudo desenvolvido pela equipa de Minayo, no Quénia, o vírus foi identificado em apenas 14 camelos em 2019, conta a BBC.

No entanto, essa mesma equipa está a testar a presença do vírus entre humanos, na esperança de impedir a disseminação do mesmo, e evitar uma nova pandemia.

Não sabemos como vai ser esta doença, se chegar aos humanos em grande escala", afirmou a especialista.

Ninguém sabia que a covid-19 criaria uma pandemia mundial, que viria a ceifar a vida de tantos milhões de pessoas. Portanto, seria bom se pudéssemos prevenir em vez de remediar. A prevenção é melhor do que a cura", continuou.

/ Redação